Danças de Carnaval da Terceira candidatas a património cultural nacional até maio

19 de abr. de 2016, 13:52 — Lusa/AO Online

"Prevê-se que a submissão do processo para a inventariação à Direção-Geral do Património Cultural e o consequente fim das atividades da responsabilidade da Direção Regional da Cultura” estará concluída até ao final do mês de maio", adianta a tutela, numa resposta a um requerimento do PSD na Assembleia Legislativa Regional a que a agência Lusa teve hoje acesso. Em setembro de 2013, o parlamento açoriano aprovou por unanimidade uma proposta do PSD que recomendava ao Governo Regional que efetuasse as diligências necessárias para a classificação das tradicionais danças e bailinhos de Carnaval da ilha Terceira como Património Cultural Imaterial de Portugal. Em fevereiro deste ano, os deputados sociais-democratas eleitos pela ilha Terceira questionaram o executivo, através de um requerimento, sobre o prazo de conclusão do processo, as diligências efetuadas e as entidades consultadas. Em resposta, o Governo dos Açores refere que o processo de inventariação "tem merecido a melhor atenção por parte da Direção Regional da Cultura e tem decorrido, até ao momento, com a celeridade possível e a desejável participação da comunidade". "O processo encontra-se em fase de validação, revisão de informação e compilação de documentação fotográfica e audiovisual. O pedido do registo no Inventário Nacional será então submetido à Direção Geral do Património Cultural, organismo que coordena o Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, para posterior validação e inclusão da manifestação no Inventário Nacional", adianta. A tutela alega que, de acordo com a Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial da UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, "a proteção legal dos bens culturais imateriais traduz-se num processo de inventariação" e, nesse sentido, será feito um pedido de inclusão no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial. "O processo de inventariação justifica-se sobretudo ao nível da valorização e divulgação do património terceirense e não tanto para a preservação do mesmo, uma vez que a vitalidade que o Carnaval da Terceira evidencia afasta, para já, quaisquer preocupações quanto à necessidade de salvaguarda urgente", frisa. Quanto ao trabalho já realizado, o Governo Regional informa que foram afetos recursos humanos da Direção Regional da Cultura "com vista à preparação e posterior execução de uma abordagem direta junto de todos os responsáveis de todas as danças e bailinhos e que recaiu sobre a edição do Carnaval de 2015, que contou com um universo de 60 danças e bailinhos". A tutela acrescenta que pediu a colaboração do Museu do Carnaval Hélio Costa, que será a entidade proponente do processo de inventariação, bem como do Museu de Angra do Heroísmo e da Biblioteca Pública e Arquivo Regional desta cidade. Além dos representantes dos 60 grupos que participaram no Carnaval de 2015, a Direção Regional da Cultura ouviu, ainda, pessoas que deram um contributo significativo para esta manifestação cultural e responsáveis pelo trabalho de bastidores, como a preparação de trajes e a receção dos grupos nos salões.