Danças, Bailinhos e Comédias da ilha Terceira classificadas património imaterial
3 de ago. de 2020, 11:14
— Lusa/AO Online
De acordo com o anúncio publicado esta segunda-feira
no Diário da República, a decisão foi fundamentada na “importância de
que se reveste esta manifestação” do património cultural imaterial
enquanto “reflexo da identidade da comunidade em que esta tradição se
originou e se pratica”.A proposta registou
a “ausência de pareceres contrários à conclusão do procedimento de
inventariação” em sede da fase de consulta direta.Segundo
o anúncio, o pedido de inventariação “resultou da iniciativa da
comunidade” no âmbito da qual se realizam as Danças, Bailinhos e
Comédias da ilha Terceira, tendo em vista a valorização desta
manifestação do património cultural imaterial à escala nacional”.Um
estudo de Américo Augusto Roque refere que as danças e bailinhos
constituem uma “manifestação artística de cariz popular, onde as artes
performativas através da dança, do teatro, da música e do traje, aliadas
com a gastronomia, exprimem e evidenciam o sentir identitário há muito
enraizado na alma terceirense”.Durante
quatro dias, entre o sábado e a terça-feira de Entrudo, centenas de
atores, cantores e músicos amadores percorrem mais de 30 palcos na ilha
Terceira, atuando de forma gratuita, pela madrugada dentro, com danças,
bailinhos e comédias, que são espetáculos de teatro popular, em rima,
muitas vezes com crítica social, intercalados com coreografias e música.A participação nestas manifestações era restrita aos homens, que representavam até as personagens femininas.Em
setembro de 2013 foi aprovada, por unanimidade, uma resolução na
Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, apresentada pelo
PSD, que recomendava ao Governo Regional que efetuasse as diligências
necessárias para a classificação destas manifestações tradicionais como
Património Cultural Imaterial de Portugal.Entre
2016 e 2018, a direção regional da Cultura recolheu registos de áudio,
fotografias e entrevistas, tendo elaborado um dossiê com "quase 500
páginas” sobre estas manifestações culturais.Depois
de um parecer positivo do Museu de Etnologia, o processo foi submetido a
consulta pública, durante o mês de fevereiro, sendo que após 30 dias,
foi remetido à DGPC, que é a entidade nacional que legitima estes
processos e tem um prazo de 120 dias para a decisão final.