Cursos estão a aumentar mas faltam especialistas em cibersegurança
21 de fev. de 2024, 17:24
— Lusa
De
acordo com o relatório do Observatório de Segurança do Centro Nacional
de Cibersegurança divulgado no final do ano passado, foram criados novos
cursos especializados em cibersegurança e segurança de informação em
2023, totalizando agora 28 opções de formação.A maioria são cursos técnicos superiores profissionais (13), havendo ainda 11 mestrados, três licenciaturas e um doutoramento.Apesar
da tendência crescente, especialistas que participaram hoje num
webinário dedicado ao relatório alertaram que não é ainda suficiente e
que as necessidades do mercado exigem muitos mais profissionais
especializados.“Temos empresas
contactarem, constantemente, a academia para colmatar as necessidades
que têm. O mercado globalizado e a caça a talentos a nível internacional
também colocou algumas questões na capacidade de retenção de talento”,
disse Tiago Pedrosa, docente e investigador do Instituto Politécnico de
Bragança.Segundo Tiago Pedrosa, a maioria
dos profissionais são formados em tecnologia da informação, mas muito
poucos são especializados em cibersegurança e segurança de informação.“A
cibersegurança cobre diversas áreas e todas têm avançado
tecnologicamente ao longo das últimas décadas”, acrescentou, por outro
lado, o presidente da Associação Portuguesa para a Promoção da Segurança
da Informação (AP2SI).Num levantamento
feito pela Associação, Jorge Pinto concluiu que muitos trabalham nas
áreas de consultoria, auditoria e segurança ou implementação de soluções
de segurança.Em contraste, as maiores
necessidades são em criptografia e criptanálise, ciência de dados,
desenvolvimento de ‘software’ e inteligência artificial.A resposta, acrescenta, deve passa pela sensibilização, formação e requalificação.“Mas
não vamos atingir os números de que necessitamos nos próximos anos”,
alerta, defendendo a alteração de programas de licenciaturas e a criação
de novos mestrados “direcionados especificamente para estes temas,
equilibrados com as necessidades do mercado português”.De
acordo com o relatório, divulgado em dezembro, a maioria dos cursos
especializados concentra-se no Norte e na Área Metropolitana de Lisboa,
em instituições do ensino público.O número
de alunos inscritos em cursos do ensino superior especializados em
cibersegurança e segurança da informação aumentou 24% em 2022/2023 e o
de diplomados cresceu em 34% no ano letivo 2021/2022."A
percentagem de mulheres inscritas nestes cursos foi de 10% em 2022/2023
e a de diplomadas foi de 7% em 2021/2022. Nos cursos de TIC
[tecnologias de informação e comunicação] o valor de diplomadas é de
20,5%", indicam as estatísticas.