Cúmplice de atentados de Paris em 2015 condenado a prisão perpétua
21 de out. de 2022, 17:13
— Lusa/AO Online
Em primeira instância, em
dezembro de 2020, Polat, que sempre negou ser "terrorista", tinha sido
condenado a trinta anos de prisão.A
decisão especial do tribunal de recurso de Paris agravou a sentença, na
sequência do pedido do Ministério Público, que lhe pediu para "proteger"
a sociedade de um homem de "extrema perigosidade" e para "enviar uma
mensagem clara" àqueles que se sentiriam "tentados a ajudar um
terrorista".Os juízes determinaram um período mínimo de 20 anos de cumprimento da sentença.Após
seis semanas de julgamento e mais de nove horas de deliberação, Ali
Riza Polat, um franco-turco de 37 anos, levantou-se após o veredito e
simulou abandonar o lugar, antes de se sentar novamente.Na última vez em que falou em tribunal, Ali Riza Polat garantiu estar inocente das acusações contra ele."Nunca
acordei uma manhã para destruir a vida destas pessoas”, disse o acusado
de cumplicidade nos crimes praticados pelos irmãos Said e Cherif
Kouachi e Amedy Coulibaly.Polat era amigo
próximo do assassino do supermercado judaico, Amedy Coulibaly, e só
admitiu ter recuperado um saco de armas no verão de 2014, informando que
se destinavam a um "assalto"."Se eu tivesse fornecido as armas, eu teria assumido", disse ele.Para
a acusação, este "braço direito" e "cúmplice ideal" de Amedy Coulibaly,
com quem cresceu em Grigny (Essonne), estava "no centro dos
preparativos para estas mortes monstruosas".Ele
"prestou assistência decisiva aos terroristas", que tinham agido de
forma concertada nos dias 07, 08 e 09 de janeiro de 2015, e "com pleno
conhecimento dos factos" dos seus planos, apontou o procurador-geral,
Manon Brignol."A natureza destas armas só
pode indicar um claro desejo de ação violenta", salientou o presidente
do coletivo de juízes, Jean-Christophe Hullin, na sua deliberação.O
tribunal também condenou a treze anos de prisão outro amigo de Amedy
Coulibaly, Amar Ramdani, de 41 anos, por ter fornecido armas ao
assassino do supermercado judaico. O
Ministério Público tinha pedido a confirmação da pena máxima de vinte
anos de prisão por associação criminosa terrorista pronunciada em
primeira instância.Ele "é condenado por
terrorismo, que sempre negou e continuou a negar quando o veredicto foi
anunciado", disse um dos seus advogados, Yves Leberquier, sublinhando os
"sentimentos extremamente contraditórios" da sua defesa, que tinha
pedido a absolvição.Durante três dias de
terror, os irmãos Kouachi e Amedy Coulibaly mataram 17 pessoas,
incluindo os cartoonistas Cabu e Wolinski, e culminaram com a sua
própria morte, numa rusga policial.Estas
ações marcaram o início de uma série de ataques terroristas em França,
com o de 13 de novembro de 2015, cujo julgamento terminou em junho, e o
do Promenade des Anglais, em Nice, a 14 de julho de 2016, atualmente a
ser julgado no mesmo tribunal.