Cuidados Continuados reforçados com 538 novas respostas de internamento
29 de dez. de 2017, 10:23
— Lusa/AO online
Segundo
um despacho conjunto dos ministérios das Finanças, do Trabalho,
Solidariedade e Segurança Social e da Saúde, a que a agência Lusa teve
acesso, estes contratos-programa são de “extrema relevância” para o
funcionamento da RNCCI.O
despacho autoriza o ISS e as ARS a assumirem "os compromissos
plurianuais no âmbito dos contratos-programa a celebrar com as entidades
integradas ou a integrar a RNCCI, no âmbito do funcionamento ou da
implementação desta rede".Os
contratos abrangerão 45 instituições, entre as quais misericórdias e
Instituições Particulares de Solidariedade Social, de várias regiões do
país.Segundo o
despacho, o valor a atribuir pelo ISS em 2018 será de 3,5 milhões de
euros, subindo face ao montante do ano anterior (260 mil euros), o que
reflete o aumento do número de contratos realizados pelas ARS no próximo
ano, no total de 14,1 milhões de euros (1,4 milhões de euros este ano).Em
declarações à agência Lusa, o Coordenador da reforma dos Cuidados
Continuados Integrados, Manuel Lopes, explicou que, no âmbito das
medidas previstas no Plano de Desenvolvimento da RNCCI, iniciadas em
2016 e que se prolongam por 2018 e 2019, foi ampliada em 538 lugares a
rede geral e foram criados este ano 364 lugares e camas de cuidados
integrados de saúde mental.Foram
também criadas este ano 20 camas e lugares para cuidados continuados
pediátricos integrados em regime experimental na unidade o “Kastelo”, em
Matosinhos.“É
uma resposta absolutamente fundamental para as crianças com doença
crónica complexa pelo que, a partir dessa experiência, estamos a
preparar para 2018 e anos seguintes a ampliação dessa resposta”, avançou
Manuel Lemos.Além
disso foi criada uma “equipa de cuidados continuados integrados,
requalificada”, em regime experimental, que se desloca às casas das
pessoas.Esta
equipa dispõe de nove perfis profissionais diferentes, presta cuidados a
um máximo de 25 doentes no concelho de Évora, 12 horas por dia em
regime presencial e as restantes 12 em resposta telefónica, todos os
dias do ano. A
equipa está a funcionar há quase um ano e chegou-se à conclusão que
foram atingidos “excelentes resultados terapêuticos”, principalmente na
dimensão da reabilitação.Por
outro lado, os resultados económicos preliminares permitem afirmar que o
custo diário com o doente é de 28 euros, menos de metade do preço da
unidade mais barata de internamento, adiantou Manuel Lopes.Esta experiência “veio provar que os cuidados no domicílio quando são possíveis são muito efetivos”, rematou.A
RNCCI, criada em 2006, assenta num modelo de intervenção integrado e/ou
articulado da saúde e da segurança social com o objetivo de proceder à
recuperação, manutenção e prestação de cuidados integrados a utentes
dependentes, envolvendo a participação e a colaboração de diversos
parceiros sociais ou privados, a sociedade civil e o Estado como
principal incentivador. “Tal
modelo surge com crescente relevância face ao aumento da esperança
média de vida, das carências sociais e da necessidade de dar resposta de
qualidade na área dos cuidados continuados integrados”, refere o
despacho a publicar no Diário da República.