CTT responsabiliza transporte aéreo por falhas no serviço com os Açores
22 de out. de 2025, 16:35
— Lusa/AO Online
João
Bento afirma que, em “25% dos dias do ano não houve a capacidade
contratualizada com as companhias aéreas”, sendo que esta “dificuldade
foi muito agravada com decisões da SATA recentes” relacionadas com a
"alteração do número de voos" e "tempos de atendimento" para expedir a
carga dos CTT.O gestor dos CTT foi hoje
ouvido em sede da comissão parlamentar de Infraestruturas, Mobilidade e
Habitação da Assembleia da República, a pedido do deputado do PSD Paulo
Moniz, eleito pelo círculo eleitoral dos Açores.João Bento apontou que existe “menos capacidade” da que está contratualizada em termos de serviço público prestado pelos CTT.Para
o responsável, existem “restrições estruturais que não podem ser
ultrapassadas se não for resolvida a questão da carga aérea”, sendo que
“o problema principal neste momento chama-se SATA”.João
Bento defendeu que uma vez que “a dotação para o serviço público de
correio é zero”, “seria interessante garantir o funcionamento no mercado
através do Orçamento do Estado ou do Governo Regional”.O
administrador defendeu que “um avião dedicado era uma solução” para
assegurar com qualidade do serviço para os Açores, que poderia ser
partilhado e melhoraria a concorrência.O responsável reiterou a necessidade de o Estado custear os serviços “para suprir as questões de coesão territorial”.O
deputado responsável pela audição do gestor dos CTT, o social-democrata
Paulo Moniz, considerou que é de “extrema importância conhecer os
níveis de serviço prestados [pelos CTT] para cada grupo de ilhas”,
visando “conhecer as diferenças que subsistem”.“Sinto
um baixar braços de quem encara a questão com um certo fatalismo”,
afirmou Paulo Moniz, defendendo que “as soluções têm de aparecer”, com
vista a melhorar o serviço prestado pelos CTT.A
deputada Ana Martins (Chega) considerou que o serviço prestado está
“muito abaixo dos índices de qualidade”, o que é “inaceitável num Estado
de direito”.A parlamentar eleita pelos
Açores declarou que o “fecho de várias estações” e diminuição dos
recursos humanos” não contribuem para a qualidade do serviço prestado e
que se está a tratar os açorianos como “portugueses de segunda
qualidade”.De acordo com a parlamentar, o Estado “tem a obrigação de garantir a fiscalização” da prestação do serviço por parte dos CTT.O
socialista Francisco César considerou, por seu turno, que “o serviço
[dos CTT] não é bom”, sendo prestado pela SATA porque esta se
disponibilizou para o efeito, apesar de haver outras operadoras aéreas
no mercado.Apontou exemplos dos atrasos
verificados do continente para os Açores e entre ilhas, de 15 a 20 dias,
o que faz com que os açorianos se sintam “cidadãos de segunda”, e
destacou também os atrasos “com filas” até três horas no acesso aos
postos dos CTT, o que se agudiza quando se trata do levantamento das
prestações sociais.Francisco César
reforçou que quando há colisão com o pagamento do subsídio social de
mobilidade “é o caos total” no serviço prestado pelos CTT.