CTT repudiam greve e rejeitam acusação de falta de trabalhadores no quadro
19 de nov. de 2020, 17:35
— Lusa/AO Online
“Os CTT condenam
e lamentam veementemente a greve convocada por algumas organizações
representativas dos trabalhadores para os dias 30 de novembro
(segunda-feira, véspera de feriado), 02 e 03 de dezembro”, notaram, em
comunicado, os Correios.Apesar de respeitarem o direito à greve, os CTT repudiam as datas escolhidas e os fundamentos da paralisação. No
documento, os Correios vincaram que os compromissos com os
trabalhadores têm sido assegurados, sublinhando que, perante a covid-19,
não recorreram ao regime de ‘lay-off’, comparticiparam a vacina contra a
gripe e anteciparam o pagamento do subsídio de Natal e dos prémios
extraordinários. Para os CTT, questionar a
atribuição de prémios e a antecipação do subsídio “é de uma enorme
insensatez”, ressalvando, no entanto, que este custo “em nada é
comparável com o impacto que um aumento salarial teria nos resultados da
empresa”. Os Correios lembraram ainda
que, anualmente, já estão salvaguardadas a diuturnidades e progressões
de carreira, tendo o incremento sido, em média, de 4% nos últimos três
anos. Por outro lado, sublinharam que os
resultados da empresa estão a ser “fortemente” impactados pela pandemia e
que o crescimento do tráfego de encomendas não compensa a descida do
negócio correio, acrescentando que, à semelhança do que aconteceu
noutros setores, houve um “incremento considerável” de custos para
proteger os trabalhadores face ao novo coronavírus.Os
CTT rejeitam também as acusações de que faltam trabalhadores no quadro e
de que a prestação do serviço postal universal não cumpre os padrões de
qualidade, notando que sempre cumpriram o indicador geral de qualidade
até que, em 2018, “a dois anos do fim do contrato de concessão”, a
Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom) “decidiu alterar os
critérios”. Neste sentido, em 2019, os CTT
não conseguiram alcançar os objetivos definidos, embora, “na sua larga
maioria, os resultados se aproximem ou sejam superiores a 90%”. Já
no que se refere ao contrato de concessão, a empresa reiterou que é sua
vontade ser o prestador público universal, defendendo ainda que o
contrato deve ser “justo, equilibrado” e servir o interesse das partas.Adicionalmente,
os CTT afirmaram ser necessário repensar o serviço público e a sua
própria natureza, uma vez que a queda do correio endereçado é um desafio
“de todo o país” e que as falhas de mercado que o serviço postal
universal quer suprimir “estão em mutação” devido à digitalização.“Os
CTT lamentam que as motivações políticas dos sindicatos se sobreponham à
sustentabilidade da empresa e preservação dos postos de trabalho”,
afirmaram os Correios, assegurando que tudo vão fazer para minimizar o
impacto da greve.Na terça-feira, em
declarações à Lusa, o secretário geral do Sindicato Nacional dos
Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações (SNTCT), Vitor Narciso,
disse que a greve deverá ter “um grande impacto no atendimento e no
tratamento e distribuição de correspondência, mas é essa a intenção,
para que a empresa perceba a indignação dos trabalhadores e a opinião
pública perceba o que se passa nos CTT”.De
acordo com o sindicalista, o objetivo é que “seja reposta a normalidade
nos CTT em termos de contratação coletiva e de qualidade do serviço
público que é prestado à população, que é cada vez pior, com os atrasos a
aumentar na distribuição de correspondência”.Vitor
Narciso lembrou que o processo negocial se arrastou desde o início do
ano e acabou sem qualquer acordo, já em fase de conciliação do
Ministério do Trabalho, com a empresa a alegar falta de liquidez para os
aumentos salariais.