CTT cumpriram indicadores de densidade da rede postal em 2022
16 de mai. de 2023, 07:34
— Lusa/AO Online
Esta
posição surge depois de ter sido divulgado que os IQS do serviço postal
universal (SU) dos CTT ficaram "aquém dos respetivos objetivos de
desempenho fixados para 2022", segundo o relatório anual da Autoridade
Nacional de Comunicações (Anacom)."Os CTT
têm vindo afirmar de forma consistente, desde que foram instituídos os
novos IQS, que alguns são impossíveis de cumprir e outros muito difíceis
de cumprir de forma reiterada", refere a empresa liderada por João
Bento.Destacam que foi também publicado o
relatório do regulador sobre os valores dos indicadores de densidade da
rede postal e de ofertas mínimas de serviços que os CTT se encontravam
obrigados a assegurar no ano 2022, bem como a evolução da rede postal
até essa data, "indicadores esses que foram todos cumpridos".No
final do ano passado, "os CTT tinham em funcionamento 2.371
estabelecimentos postais, dos quais 569 eram estações de correio
(incluindo uma estação móvel) e 1.802 postos de correio (incluindo dois
postos móveis), tendo o número total de estabelecimentos postais
crescido ligeiramente face ao final de 2021", prosseguem. "De
destacar que os critérios de densidade de 2017 e reforçados em 2019 são
especialmente exigentes, sendo complexa a sua implementação e
manutenção", isto porque "é necessário assegurar um determinado número
de estabelecimentos postais e marcos e caixas de correio, em função da
distribuição da população no território nacional e respetiva distância
aos domicílios, distância entre pontos de acesso, natureza urbana ou
rural das zonas abrangidas, serviços disponibilizados, horários, entre
outros", explicam os CTT.Quando aos
indicadores de qualidade de serviço, "este tema já foi alvo de uma
sentença do tribunal arbitral, constituído para discutir os seus
impactos, sentença essa que reconheceu que a decisão da Anacom de 2018
consubstanciou uma alteração anormal das circunstâncias, causando danos
no valor de 1.869.482 euros aos CTT, pela exigência adicional que esses
indicadores impunham, no que constituiu a primeira confirmação de que a
razão nos assiste", afirmam ainda.Os CTT
recordam que 2022 foi "especialmente desafiante, devido à ocorrência de
diversos constrangimentos que impactaram negativamente o funcionamento
operacional da rede postal".Os Correios de
Portugal "registaram o maior número de ausências por infeção da
Covid-19 nos primeiros meses do ano, aumentando consequentemente as
situações de absentismo e surtindo fortes impactos na atividade postal".
Ora, "para minimizar os efeitos das
ausências uma vez mais a empresa recorreu a alternativas de contratação,
tais como contratação de trabalhadores, trabalho temporário e trabalho
suplementar, sendo, contudo, este esforço impactado pelas dificuldades
verificadas na contratação de trabalhadores e na produtividade que não é
equiparável a de um recurso com experiência no ofício", argumentam.Além
disso, "foram sentidas, ao longo do ano, fortes dificuldades na
contratação de pessoal, que foram transversais a várias empresas e
setores de atividade, gerando constrangimentos operacionais, afetando a
distribuição, não obstante o recurso a soluções alternativas, como
sejam, a utilização de trabalho suplementar e de trabalho temporário".Registaram-se
ainda "diversas situações que afetaram desfavoravelmente o
funcionamento da área operacional, nomeadamente a realização de uma
greve geral em 17 de junho, que impactou negativamente na operação de
distribuição; a ocorrência de incêndios, nos meses de julho e agosto,
verificados em diversos concelhos do país, e inundações em dezembro, que
impactaram negativamente não só a distribuição, como a recolha de
tráfego com origem em estabelecimentos postais e marcos e caixas de
correio nestas áreas".No que respeita ao
transporte para as regiões autónomas, "mantiveram-se, ao longo do ano,
restrições na capacidade de transporte para os Açores e para a Madeira".No
que respeita aos Açores, "os principais constrangimentos verificaram-se
na ligação continente - Terceira, devido à redução da periodicidade dos
voos para este destino, e nas ligações inter-ilhas, principalmente para
o Pico e São Jorge”, devido à “falta de capacidade de transporte da
SATA Air Açores, que se agrava durante a época de verão, fruto do
aumento do transporte de passageiros".Na
Madeira, "os principais constrangimentos para o destino Funchal
deveram-se à falta de capacidade de transporte da TAP em determinados
dias da semana". Os CTT "estão, assim, sujeitos a obrigações de investimento, mas os respetivos termos em concreto estão por definir", concluem.