CTGP afirma que Portugal não pode ter uma economia assente no turismo
Hoje 14:40
— Lusa/AO Online
“Há aqui outra questão que é
central e que ninguém discute, que é o valor daquilo que é produzido no
nosso país, nós temos um país assente em produtos de baixo valor
acrescentado, nós não podemos ter um país assente na hotelaria, no
turismo”, disse o dirigente em declarações aos jornalistas à margem da
tribuna pública que assinala o dia mundial da Segurança Social. Tiago
Oliveira reiterou também, que Portugal pode vender a quantidade que
quiser de pastéis de nata que não irá competir com as importações que o
país tem que fazer.“Podemos querer vender o
maior número de croissants e pastéis de nata que quisermos vender, nada
disto vai entrar em concorrência com aquilo que temos que comprar fora
porque abdicámos da nossa produção nacional”, afirmou o sindicalista. O
dirigente fez referência à compra de comboios que Portugal vai fazer a
países estrangeiros, dizendo que existia uma “grande empresa de comboios
a nível nacional”.“Nós agora temos que
comprar mais 100 comboios, vamos comprar os 100 comboios onde? Vamos
comprar a Espanha, vamos comprar a França, vamos comprar à Suíça”,
disse.“Mas nós tínhamos uma grande empresa
de comboios a nível nacional, e quantos pastéis de nata é que vamos ter
que vender para comprar um comboio à Suíça, a Espanha ou a França?”,
acrescentou. Tiago Oliveira remete as
questões da baixa produtividade nacional para as políticas públicas que
foram seguidas ao longo dos anos.“A
questão da produtividade está aqui, naquilo que são as escolhas
políticas que foram seguidas ao longo de todos estes anos, e portanto,
quando se fala em produtividade, que se olhe para as questões do
trabalho, para a valorização dos trabalhadores e criar nos trabalhadores
condições para terem uma vida próspera no seu país”, reiterou o
dirigente. Relativamente ao pacote
laboral, Tiago Oliveira asseverou que “há uma rejeição” e que os
partidos na Assembleia da República “terão de ser responsabilizados”
consoante o seu voto no parlamento. “Ou
estão do lado de um governo que tem respondido aos interesses dos
patrões, ou estão do lado da maioria, a maioria são os trabalhadores, e
os trabalhadores rejeitam este pacote laboral”, defendeu. Em
relação a impostos, o sindicalista assegura que os trabalhadores não
têm problema em pagá-los, que apenas exigem que eles sejam investidos
“na melhoria dos serviços públicos, na melhoria da resposta às
necessidades das populações”. “Os
trabalhadores não se queixam de pagar impostos a mais, porque a questão
central é por onde é que vai o dinheiro dos nossos impostos”, rematou
Tiago Oliveira. Mais tarde, no discurso de
encerramento da tribuna pública, o secretário-geral da central sindical
acusou ainda a União Europeia de querer “substituir a repartição
solidária pela capitalização individual”, fazendo com que as “pensões
dependam dos mercados financeiros, da bolsa, da especulação”.“No
futuro o valor da nossa reforma vai ser uma incógnita. Dependerá se os
bancos têm ou não têm lucro, se as ações subiram ou não, ou do
comportamento dos mercados financeiros”, disse Tiago Oliveira. O
sindicalista prosseguiu a crítica à União da Poupança e do Investimento
e a recomendação para a inscrição automática em planos complementares
de reforma.“Querem que, sem sequer
pensarmos muito, sejamos empurrados para os fundos privados, com a
promessa de benefícios fiscais, que, atenção, são dinheiro público a
alimentar os lucros da banca, das seguradoras e dos fundos privados”,
afirmou.“E o nosso Governo, em vez de
defender este sistema público, dá-lhes mão e abre as portas para
fragilizar o sistema de repartição, incentivar os regimes
complementares, preparar o terreno para mais tarde substituir o público
pelo privado (…) a mesma mão que ataca as nossas pensões, que ataca os
nossos salários, que ataca os nossos direitos, vem apresentar aos
trabalhadores o pacote laboral”, acrescentou.