Critérios de concessão de crédito a empresas e particulares mais restritivos no 3.º trimestre
27 de out. de 2020, 13:51
— Lusa/AO Online
Segundo a edição de outubro do “Inquérito aos
Bancos sobre o Mercado de Crédito”, hoje divulgada pelo banco central,
para esta evolução “contribuíram a maior perceção e a menor tolerância
de riscos por parte dos bancos”.Para o
último trimestre deste ano, os bancos preveem restrições adicionais no
crédito a empresas, enquanto as condições do crédito a particulares se
deverão manter “praticamente inalteradas”.No
crédito a empresas, no terceiro trimestre destacou-se “a perceção de
riscos associados à situação e perspetivas em setores e empresas
específicos e, em menor grau, de riscos associados à situação e
perspetivas económicas gerais e às garantias exigidas”.“Neste
segmento de crédito, os ‘spreads’ aplicados nos empréstimos de maior
risco aumentaram e a maturidade, as garantias exigidas e o montante do
empréstimo tornaram-se ligeiramente mais restritivos”, precisa o BdP.Já
no crédito a particulares, foi “a perceção de riscos associados à
situação e perspetivas económicas gerais” que esteve na base da maior
restritividade nos empréstimos à habitação e ao consumo, tendo os bancos
também indicado “uma menor tolerância de riscos nos empréstimos ao
consumo”.Ainda assim, os termos e
condições dos empréstimos à habitação e ao consumo “permaneceram
praticamente inalterados” e a proporção de pedidos de empréstimos
rejeitados “permaneceu essencialmente inalterada no crédito a empresas e
no crédito à habitação, mas aumentou no crédito ao consumo”.De
julho a setembro, o BdP reporta que a procura de empréstimos por parte
das empresas “reduziu-se ligeiramente, e de forma mais acentuada no caso
de grandes empresas, influenciada sobretudo pela redução das
necessidades de financiamento para investimento, para fusões/aquisições e
para restruturação empresarial”.No caso dos particulares, a procura aumentou ligeiramente no crédito à habitação e permaneceu inalterada no crédito ao consumo. “O
nível geral das taxas de juro contribuiu para aumentar a procura,
especialmente de empréstimos à habitação, e, em sentido contrário, a
confiança dos consumidores contribuiu para a sua diminuição, sobretudo
no segmento do consumo”, nota o banco central.Para
o quarto trimestre de 2020, os bancos anteveem uma diminuição da
procura de crédito por parte das empresas, transversal ao tipo de
empresa e maturidade do empréstimo, mas mais acentuada nas PME (pequenas
e médias empresas) e nos empréstimos de longo prazo.Já
no caso dos particulares, os bancos antecipam um aumento da procura de
crédito ao consumo e uma estabilização da procura de crédito à
habitação.No relatório hoje divulgado, o
regulador deu ainda conta do resultado do inquérito feito aos bancos
sobre outras questões não permanentes, nomeadamente o financiamento a
retalho e por grosso, os programas do Banco Central Europeu (BCE) de
compra de ativos, o impacto da taxa de juro negativa aplicada pelo BCE à
facilidade permanente de depósito e a terceira série de operações de
refinanciamento de prazo alargado direcionadas (ORPA direcionadas III).As
respostas obtidas indicaram que, no terceiro trimestre, verificou-se
uma melhoria no financiamento a retalho, especialmente através de
depósitos de curto prazo, e, em sentido contrário, uma “ligeira
deterioração” na capacidade de transferência do risco de crédito para
fora do balanço.Quanto aos programas de
compras de ativos do BCE (o APP e o Programa de Compras de Emergência
Pandémica), os inquiridos dizem ter contribuído para o aumento do total
dos ativos dos bancos, designadamente obrigações soberanas da área do
euro, assim como para a melhoria da posição de liquidez global do banco e
das condições globais de financiamento no mercado.Segundo os bancos, estes programas também contribuíram para uma ligeira melhoria do rácio de fundos próprios.Sobre
a taxa de juro negativa aplicada pelo BCE à facilidade permanente de
depósito, foi reportado que, nos últimos seis meses, teve “um impacto
negativo na margem financeira e, consequentemente, na rendibilidade
global dos bancos”.“Em simultâneo, o nível
desta taxa de juro contribuiu ligeiramente para o aumento dos ‘spreads’
aplicados em empréstimos a empresas e a particulares para aquisição de
habitação e para o aumento do volume de crédito concedido a empresas”,
refere o BdP.Relativamente às ORPA
direcionadas III, os cinco bancos da amostra portuguesa participaram na
operação de refinanciamento de prazo alargado (ORPA) direcionada III de
junho de 2020 e um banco participou na operação de setembro, sendo que
quatro bancos indicaram que não pretendem participar nas futuras
operações ORPA direcionadas III e um referiu que a participação ainda
não estava decidida.Nos últimos seis
meses, as ORPA direcionadas III contribuíram para uma melhoria da
situação financeira dos bancos por via da posição de liquidez, da
rendibilidade e das condições de financiamento no mercado, assim como da
capacidade para cumprir os requisitos regulamentares e prudenciais,
tendo ainda contribuído ligeiramente para o aumento do volume de crédito
concedido a empresas.O questionário que
esteve na base do relatório hoje divulgado pelo BdP foi enviado aos
bancos no dia 21 de setembro e o envio das respostas ocorreu até ao dia
06 de outubro.