Cristas regista “positivamente” ação do Governo português
Venezuela
4 de fev. de 2019, 16:58
— Lusa/AO Online
"Nós
registamos positivamente esta decisão do Governo português, como de
resto pedimos e solicitámos desde o primeiro momento porque entendemos
que não era possível ter eleições disputadas num ambiente de liberdade e
de democracia com Nicolás Maduro à frente do país", disse Assunção
Cristas, à margem do lançamento de um cartaz do partido para as eleições
europeias, na avenida da República, em Lisboa.Vários
Estados-membros da UE, incluindo Portugal, reconheceram hoje
individualmente o presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, como
Presidente interino da Venezuela com a missão de organizar eleições
presidenciais livres e justas.Entretanto,
o Presidente Nicolás Maduro ordenou a revisão integral das relações
bilaterais com os países da Europa que reconheceram o deputado Guaidó
como líder encarregado de conduzir o país a um novo ato eleitoral."Isso
foi o que pedimos ao Governo português desde a primeira hora. Outros
governos andaram um pouco mais rápido na Europa. Agora, há um conjunto
relevante de países que fazem este reconhecimento da legitimidade de
Juan Guaidó e isso é positivo", afirmou a líder democrata-cristã.A
crise política na Venezuela agravou-se em 23 de janeiro, quando o líder
da Assembleia Nacional se autoproclamou Presidente da República
interino e declarou que assumia os poderes executivos de Maduro. Guaidó,
35 anos, contou de imediato com o apoio dos Estados Unidos e prometeu
formar um governo de transição e organizar eleições livres, enquanto
Maduro, 56 anos e chefe de Estado desde 2013, recusou o desafio e
denunciou a iniciativa como uma tentativa de golpe de Estado liderada
pelos Estados Unidos."O
que pedimos ao Governo português é que continue a insistir para que
mais se juntem e que, de facto, a Europa possa ter uma voz muito firme
também neste posicionamento no que diz respeito à defesa da democracia
e, no caso que mais nos interessa, dos interesses dos portugueses e
lusodescendentes na Venezuela, uma comunidade muito grande e que tem
sofrido muito em conjunto com todos os venezuelanos", continuou Cristas.O
problema político venezuelano soma-se a uma grave crise económica e
social que levou 2,3 milhões de pessoas a fugirem do país desde 2015,
segundo dados das Nações Unidas. Nesta antiga colónia espanhola residem
cerca de 300.000 portugueses ou lusodescendentes."Eu
gostaria de ter visto Portugal, como a Dinamarca, a ser uma das
primeiras vozes. Não foi essa a opção do Governo português. Tenho pena.
Nós pedimos desde a primeira hora que fosse nesse sentido, mas a verdade
é que está no grupo dos primeiros países que faz esse reconhecimento.
Acho que é um aspeto positivo. Por nós, tinha sido há mais tempo, foi
agora. Melhor tarde que nunca", concluiu a presidente do CDS-PP.