Crise “exige que se acelerem apoios, clarifiquem medidas e se melhore coordenação”
Hoje 10:49
— Lusa/AO Online
No relatório da Presidência Aberta
na Zona Centro do país, realizada por António José Seguro entre 06 e 10
de abril às zonas afetadas pelas tempestades – divulgado pelo
jornal Público e a que Lusa teve acesso -, o chefe de Estado avisa, na
introdução, que “para muitas famílias, empresas e comunidades, esta
crise ainda não terminou”.“As
consequências desta crise persistem e continuarão a persistir ao longo
do tempo. E também por isso deve continuar a vigilância sobre os apoios,
sobre a reconstrução e sobre a capacidade do país, e em particular do
Estado, para retirar deste episódio as conclusões e as lições
necessárias”, diz.Para Seguro, ao longo da
semana em que esteve no terreno e ouviu populações, autarcas, agentes
económicos e muitos outros, “tornou-se claro que o problema não se
esgota no momento da destruição inicial”.“O
que aconteceu exige mais do que a reparação dos danos. Exige que se
acelerem apoios, que se clarifiquem medidas, que se adequem respostas a
realidades muito concretas, que se melhore a coordenação entre
entidades, que se reforcem as infraestruturas críticas e que se corrijam
vulnerabilidades acumuladas”, defendeu.Num
documento de quase cem páginas, com conclusões, prioridades e lições
estratégicas para o futuro, António José Seguro defendeu que “a
capacidade de improvisação, sendo valiosa, tem de ser acompanhada por
melhor organização, melhor planeamento, maior preparação institucional e
uma cultura mais sólida de responsabilidade e autoproteção”.“As
preocupações identificadas ao longo da Presidência Aberta são claras: a
lentidão de alguns apoios, a persistência de situações por resolver, a
necessidade de reforçar a redundância das telecomunicações, do
fornecimento de energia, das acessibilidades e da comunicação em
emergência, e a urgência de garantir que o território entra nos meses de
maior risco em condições mais seguras do que aquelas em que saiu do
inverno”, refere.O chefe de Estado
enquadra este relatório como “um instrumento de trabalho”, destinado a
“compreender o que correu bem, o que correu mal, o que permanece por
resolver e o que deve mudar”“Não basta
responder à emergência. É necessário preparar melhor o futuro, com mais
coordenação, mais prevenção e maior responsabilidade partilhada. E,
sobretudo, porque não podemos permitir que esta experiência se encerre
sem mudança”, refere.No capítulo dedicado à
governação e coordenação, o relatório, com a chancela da Casa Civil da
Presidência da República, alerta que os fenómenos extremos verificados
no início do ano “não testaram apenas infraestruturas, empresas ou
habitações”.“Testaram, de forma
particularmente exigente, a capacidade do Estado para coordenar,
decidir, comunicar e agir num contexto de crise territorial
multissetorial”, refere-se.Neste ponto, o
relatório aponta “fragilidades no aviso, na comunicação, no comando e na
coordenação, bem como insuficiente clareza de papéis”, destacando a
resposta local como o aspeto mais positivo.“Vários responsáveis locais sublinharam a falta de interlocutores claros”, refere-se.Ao
nível do executivo central, aponta-se, “a crítica principal não foi a
ausência, mas a dificuldade em tornar clara a inter-relação entre
medidas, critérios, calendários e responsabilidades”. “A
principal dificuldade da articulação institucional terá residido,
portanto, na insuficiente clareza e estabilização de papéis e
procedimentos. A resposta existiu, mas assentou muito na capacidade
local de adaptação e em articulações construídas em contexto de
urgência”, refere-se.