Crianças “entram em missão” para proteger o oceano
Hoje 09:09
— Daniela Arruda
O entusiasmo tomou conta da Aula Magna na Universidade dos Açores quando
dezenas de crianças entre os seis e os dez anos gritaram em uníssono
“sim” ao desafio lançado em palco: “Querem fazer parte da Patrulha Ação
Azul? Querem ser guardiões do mar dos Açores?”. O “sim” foi alto e sem
hesitação no final da apresentação da coleção infantil “Patrulha Ação
Azul”, uma iniciativa do Blue Azores com o apoio do Oceanário de Lisboa.Durante
a dinâmica conduzida por Rita Borges e Natacha Moreira, do Oceanário de
Lisboa, os alunos participaram e refletiram sobre o mar e as espécies
que nele vivem. Quando foram desafiados a pensar no que diriam às
pessoas se fossem o próprio oceano, as respostas foram bastante
espontâneas e parecidas: “Para proteger o mar, para não pôr lixo no
mar”; “Para parar de poluir porque os animais morrem por causa do lixo”;
“Para parar de poluir porque os animais vivem no mar”. Houve ainda uma
criança de seis anos que disse apenas “Patrulha Ação Azul”. Sobre o
que é o mar, esta parecia ser uma pergunta mais difícil: “Eu sei coisas
do mar, mas já esqueci”, enquanto outra criança de sete anos respondeu
“é azul”.A apresentação deixou conhecimento, mas também selou um
compromisso. Muitas crianças garantiram que iam levar para casa a
mensagem e influenciar quem está à sua volta para comportamentos mais
responsáveis, dizendo às famílias para “parar de fazer poluição”, “para
pararem de poluir algo que é mais belo do que já é” e lembrar que “a
gente não pode pôr lixo no mar”.Depois da distribuição dos livros,
as crianças regressaram aos seus lugares e a curiosidade de folhear as
páginas tomou conta dos mais novos. Já faziam planos para a leitura em
família, com irmãos, pais e avós. Mas, apesar de ainda não terem lido o
livro na integra, já havia primeiras impressões: “Ainda não li direito,
mas eles procuram... eles buscam uma solução” e ainda “eles estão
fazendo uma limpeza no mar”.A importância de proteger o mar já é
conhecida por muitos: “tem oxigénio” e “os animais também têm vida”. E,
para algumas crianças, a sessão teve um entusiasmo extra por acontecer
na Universidade dos Açores: “Foi fixe, é a escola dos grandes”. À saída
todos concordaram que aprenderam coisas novas, e uma das crianças
sublinhou a que para si foi a melhor descoberta: “Não sabia que a língua
da baleia azul pesava o mesmo que uma vaca”. As personagens da
“Patrulha Ação Azul” deram vida a esta missão, foram apresentadas como
um grupo de amigos com um objetivo em comum: conhecer e proteger o
oceano. O polvo Óscar já é um dos favoritos entre os mais novos, por ter
três corações e oito braços, além de inventar soluções para salvar o
mar.Carminho, uma cavalo-marinho vaidosa e determinada, é outra das
personagens, bem como Carlota, uma cachalote. Carlota tem a que tem o
cérebro maior do grupo e está sempre ponta a aprender mais sobre o
oceano. Outro companheiro é o tubarão Sebastião que acha que está sempre
doente com todas as doenças do oceano. Mas, apesar de ser o mais
medricas do grupo, mostra coragem quando é preciso proteger os amigos. A
patrulha fica completa com a Ana e com o Guilherme, duas crianças que
ajudam os animais a fazer a ponte entre o mundo marinho e os humanos.A
sessão marcou o início da entrega de cerca de 10 mil livros pelos
alunos do 1.º ciclo dos açores. Ontem, cerca de 320 crianças de escolas
de Ponta Delgada, Ribeira Grande e Lagoa receberam exemplares.A
iniciativa integra o programa Educar para uma Geração Azul (EGA),
promovido pela Fundação Oceano Azul e pelo Oceanário de Lisboa.
Implementado nos Açores desde 2019, no âmbito do Blue Azores e com o
apoio da Secretaria Regional da Educação e Administração Educativa, o
programa já envolveu mais de 6500 alunos e formou mais de 430
professores na região, com o objetivo de aproximar os mais novos do mar e
torná-los mais conscientes do seu papel na proteção do oceano.