Criada rede para agilizar resposta à população açoriana migrante
15 de abr. de 2025, 09:08
— Nuno Martins Neves
Com o mundo a enfrentar convulsões constantes, onde os
desafios a quem procura por uma vida melhor longe da terra natal são
cada vez maiores, o Governo Regional dos Açores deu um passo para
agilizar a resposta à população açoriana migrante, com a criação da Rede
Internacional de Organizações de Serviço Social dos Açores e da
Diáspora. O secretário regional dos Assuntos Parlamentares e
Comunidades, Paulo Estêvão, presidiu à assinatura do protocolo que une,
debaixo do mesmo guarda-chuva, 18 entidades que desenvolvem atividades
de índole social junto das comunidades açorianas nos Estados Unidos da
América, Canadá e Bermuda, com o objetivo de criar sinergias, articular
atuações e dividir esforços para resolver os problemas que os migrantes
têm encarado.Com a Direção Regional das Comunidades como promotor e
coordenador, integram a Rede o Instituto de Segurança Social dos Açores,
o Abrigo Centre, a Associação dos Emigrantes Açorianos, a
APAV - Associação Portuguesa de Apoio à Vítima, a ARRISCA - Associação
Regional de Reabilitação e Integração Sociocultural dos Açores, o
Catholic Charities of the Diocese of Fall River, o Centro de Ação
Sócio-Comunitária de Montreal, o Centro Comunitário Working Women, o
Clube Vasco da Gama, o Immigrant’s Assistance Center, o Instituto de São
João de Deus - Casa de Saúde de São Miguel, a Luso Canadian Charitable
Society, Massachusetts Alliance of Portuguese Speakers - MAPS, a Missão
Santa Cruz, a NOVO DIA - Associação para a Inclusão Social, a
POSSO - Portuguese Organization for Social Services and Opportunities, o
Southeastern Massachusetts SER-Jobs for Progress, Inc, e a VALER - Valley
Area Living Enabling Resources.Entre os objetivos, a rede quer criar
“bases de compromisso” entre os signatários para uma “colaboração e
atuação eficaz, uma melhor comunicação e promoção da articulação entre
todas as organizações, bem como a necessária integração social dos
açorianos emigrados ou regressados à Região”.Promover um conjunto de
respostas de suporte sociocultural, entre as diversas entidades, para
contribuir para a “integração efetiva dos açorianos emigrados e
açorianos regressados à Região” , bem como rentabilizar recursos e
estratégias para evitar uma “ineficaz duplicação” são outros objetivos
da rede.São alvo de intervenção da rede emigrantes e emigrantes
regressados, em situações de vulnerabilidade e/ou exclusão; emigrantes
repatriados ou deportados; crianças e jovens em risco de exclusão
social; respetivas famílias; e pessoas vítimas de crime, suas famílias e
amigos.Estêvão alerta para situação “sem precedentes”“Estamos
a enfrentar uma situação sem precedentes. Os últimos números do Governo
português são que o país tem um milhão e meio de imigrantes. Trata-se
de um crescimento muito significativo. Um país de emigrantes
transformou-se num país que acolhe emigrantes. Ao mesmo tempo,
continuamos a ter uma população emigrante muito significativa. É uma
conjuntura única”, declarou o governante, segundo a nota de imprensa, na
sessão de encerramento de um seminário internacional dedicado à
constituição da Rede, em Ponta Delgada.Para o secretário regional
com a tutela das comunidades, “esta situação extraordinária e histórica
levanta desafios ao país” e aos Açores. “Há uma conjuntura recente
que tem a ver com a política de emigração da nova administração
norte-americana. Neste momento, tendo em conta não propriamente as ações
em relação à comunidade portuguesa, mas sobretudo o discurso, não há um
número de deportações superior ao normal, essa situação não aconteceu. Se há neste momento um regresso em número significativo de açorianos é
um regresso voluntário que tem a ver com o impacto do discurso da
administração [Trump] e o medo que esse discurso possa ter consequências
práticas”.