Criada linha telefónica para denúncia de violência contra crianças e jovens
Covid-19
19 de mai. de 2020, 17:59
— Lusa/AO Online
“Foi criado e está
acessível o número de telefone 961231111, da
responsabilidade da CNPDPCJ, que garantirá o devido encaminhamento
dessas situações para a CPCJ [Comissão de Proteção de Crianças e Jovens]
territorialmente competente”, adianta a CNPDPCJ, num comunicado hoje
divulgado sobre o lançamento da campanha “Proteger crianças compete a tod@s”.A
campanha destina-se a apelar ao envolvimento da sociedade civil na
prevenção e denúncia de casos, pondo o foco naquela que é considerada a
primeira linha de ação, ou seja, amigos, família, conhecidos e vizinhos,
pedindo-lhes que prestem atenção a sinais de alerta que seriam
normalmente detetados e reportados por instituições como creches,
escolas, clubes ou associações frequentados por crianças e jovens, que
agora estão impedidos de o fazer devido aos constrangimentos provocados
pela pandemia de covid-19.“Num período em
que o isolamento social se impõe, os muros de silêncio e o medo que
caracterizam essas famílias estão ainda mais escondidos e calados; os
riscos e os perigos dificilmente se deixam ver, para além das paredes
que os isolam. Nessa medida, é fundamental a atenção redobrada de todos:
o cuidado de observar, de escutar, de ir à janela e sorrir para as
crianças e perguntar se está tudo bem, analisar as suas reações, a sua
linguagem verbal e corporal, os seus silêncios, não deixando que a
indiferença do tempo de confinamento condicione o nosso dever de
proteção”, lê-se na brochura da campanha.A
CNPDPCJ refere que produziu diversos materiais informativos
distribuídos pelas CPCJ e pela sociedade, tendo ainda sido elaborado “um
modelo de ficha de comunicação de situações de perigo, adaptado ao
contexto atual, que está a ser divulgado pelo Ministério da Educação”
junto das escolas, ajustado ao atual momento de ensino à distância.“Atualmente,
apesar das medidas de confinamento, as CPCJ estão a acompanhar cerca de
43 mil crianças em todo o país, tendo-se mantido em funcionamento,
fazendo o acompanhamento presencial das crianças e famílias sempre que a
situação assim o exija”, refere o comunicado da comissão nacional.A
CNPDPCJ recorda que as CPCJ são uma segunda linha de intervenção na
promoção e proteção dos direitos das crianças e jovens, que se ativa
“quando se esgota a resposta protetiva na primeira linha” e que “depende
do consentimento dos progenitores ou dos cuidadores, bem como o da
criança com idade superior a 12 anos”.“Na
ausência deste consentimento ou esgotados os meios ao alcance da
Comissão de Proteção, a situação é remetida à terceira linha do sistema,
o Ministério Público e os tribunais”, explica o comunicado.