Criação de círculos eleitorais municipais questionada por partidos nos Açores
4 de dez. de 2019, 16:53
— Lusa/AO Online
Na sequência da apresentação da petição do
movimento cívico por parte de Mário Fortuna, o seu porta-voz, em sede da
comissão parlamentar dos Assuntos Parlamentares, Ambiente e Trabalho,
em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, o deputado socialista João
Vasco Costa declarou aos jornalistas que “não é muito normal que se
queira acabar com os círculos de ilha”, o que “criaria distorções à
proporcionalidade que a própria Constituição exige”.A
proposta do grupo de cidadãos em apreciação parlamentar contempla a
criação de círculos eleitorais coincidentes com as 19 autarquias,
atribuindo-lhes a sua quota parte, na ilha, dos mandatos calculados na
base de um número mínimo de dois por ilha, a que acresce mais um por
cada 10.000 habitantes.O parlamentar do
PPM/Açores, Paulo Estevão, destacou que o conjunto de propostas
apresentadas “não são novas”, tendo inclusivamente apresentado várias
delas, há cerca de três anos, na Comissão Eventual para a Reforma da
Autonomia (SEVERA) dos Açores, acrescentando que a “pulverização dos
círculos eleitorais concelhios” penalizam os pequenos partidos e
promovem a bipolarização.O deputado
social-democrata António Vasco Viveiros, disse que, apesar de o
PSD/Açores não ter debatido internamente a proposta, “à partida também
defende-se o círculo eleitoral de ilha”, em detrimento dos concelhios,
tendo considerado que a iniciativa do grupo de cidadãos surge motivada
pelas “dúvidas da incapacidade do sistema gerar alternância” e de se
assistir a uma “fiscalização política inadequada” por parte do
parlamento regional.A deputada
independente Graça Silveira considerou que, com a “pulverização dos
círculos eleitorais, haverá uma menor representatividade”,
exemplificando que, no caso de Santa Maria e do Faial, ambas elegeriam
três deputados, quando a segunda ilha tem “bem mais do dobro de
eleitores”.O deputado do BE/Açores António
Lima disse que a criação dos círculos eleitorais concelhios introduz
“distorções da representatividade que são graves e não se pode aceitar”,
indo beneficiar os partidos com maior dimensão.Questionado
sobre se será possível realizar as eleições legislativas regionais dos
Açores de 2020 já com as alterações no sistema eleitoral, o porta-voz do
movimento cívico 'Cidadania Ativa', Mário Fortuna, declarou que, a
avaliar pelas declarações dos deputados, “já estão consensualizadas
entre os partidos algumas das propostas contidas no projeto” como a
abertura à participação de grupos de cidadãos no ato eleitoral.Na
sua petição, o grupo de cidadãos considera que "é imperioso que os
eleitores se sintam mais diretamente representados por pessoas que
conhecem e que têm a responsabilidade de levar à Assembleia as
preocupações locais devidamente enquadradas no quadro global".A
proposta contempla assim a criação de círculos eleitorais coincidentes
com as 19 autarquias, atribuindo-lhes a sua quota parte, na ilha, dos
mandatos calculados na base de um número mínimo de dois por ilha, a que
acresce mais um por cada 10.000 habitantes.O
voto eletrónico seria uma forma de "responder a novos estilos de vida
dos cidadãos que cresceram já na era digital", na opinião destes
cidadãos.Mário Fortuna disse ainda que se
justifica uma redução do número de deputados, "dado o peso que
representa no orçamento público", devendo-se aumentar o rácio de
eleitores por cada mandato criado, reduzindo o número total de deputados
para 45 (menos 12).O pacote legislativo
do grupo de cidadãos compreende três propostas de alteração legislativa
do Estatuto Político-Administrativo dos Açores, da Lei Eleitoral e da
Constituição, sendo que está a decorrer sob o formato de petição por
forma a ser discutida no parlamento regional.