Crescimento do ciclismo de pista português seguiu “processo contínuo e evolutivo”
22 de jul. de 2022, 08:43
— Lusa/AO Online
Segundo
explica à Lusa o selecionador nacional, Gabriel Mendes, este processo
de pouco mais de uma década explica o aparecimento dos primeiros
‘talentos’, a princípio, o alargamento do leque de praticantes e a
chegada das medalhas e da participação olímpica, esta última por Maria
Martins em Tóquio2020, com o sétimo lugar no omnium.Em
2009, a criação do Velódromo Nacional em Sangalhos, que por estes dias
recebeu os Europeus de pista sub-23 e juniores, abriu caminho a uma nova
forma de encarar a vertente, com a chegada de Gabriel Mendes, formado
em ciências do desporto e fisiologia e biomecânica, para liderar o
projeto.Passou pela escola de pista e a
base de atletas jovens que se foi reunindo acabou por gerar as primeiras
‘estrelas’: os irmãos gémeos Ivo Oliveira e Rui Oliveira são disso o
expoente máximo.Ivo já medalhou num
Mundial de elite, além de várias vezes em Europeus, e Rui também tem uma
mão cheia de pódios em campeonatos da Europa, começando em 2013
precisamente em Anadia, então em juniores.“Foi
um processo contínuo e evolutivo. Tiveram resultados na categoria de
juniores. Em 2015, passam a sub-23, em 2016 começámos a conquistar
medalhas. Quase todos os anos, desde 2016, temos ganho sempre medalhas.
No início, eram os atletas principais, foram fazendo um percurso obtendo
algumas medalhas nesse percurso de formação, e, à medida que a seleção
foi evoluindo, também outros atletas foram integrando a mesma. Neste
momento, temos um leque alargado de atletas que já conseguiram obter
resultados”, explica o selecionador.Esse
“trabalho de identificação”, formação e “desenvolvimento técnico” com os
atletas que mostraram apetência – e “paixão pela pista”, ressalva o
técnico – para a vertente acabou por elevar o nível nacional, com um
“impacto muito grande”.“Foi através desse
processo de seleção e identificação que fomos construindo uma seleção, e
dando uma dinâmica a uma seleção. O Rui e o Ivo são jovens, e aí
continuam, mas há mais atletas. Temos o Iúri Leitão, o João Matias, que
têm participado mais neste processo da pista, o César Martingil teve uma
fase em que também estava. Mais jovens, [temos] o Rodrigo Caixas, o
Diogo Narciso, o Daniel Dias, e ainda alguns juniores que poderão fazer
esse percurso. Nas femininas, a Maria Martins foi a atleta que, no
fundo, tendo oportunidade, foi progredindo mais ao longo do tempo, é
visível”, elencou.A combinação entre pista
e estrada, disse, favorece ambas as vertentes na performance dos
ciclistas, numa estratégia similar à de outras seleções, como a Suíça,
abdicando das disciplinas rápidas em favor da endurance.“Temos
de trabalhar nesta linha, porque não há outra linha. Termos recursos
que nos possam apoiar, e atletas que desenvolvam competências para
trabalhar em alto rendimento. Não basta ter recursos sem atletas com
estrutura mental para trabalhar em alto rendimento. Isso é um aspeto
muito importante”, realçou.A integração no
projeto olímpico permite à Federação Portuguesa de Ciclismo (FPC) ter
“mais recursos” para apoiar a preparação e, sobretudo, a participação em
competições internacionais não só dos atletas de elite, como dos mais
jovens, cujo desenvolvimento é suportado em sede federativa.“Nós
temos de otimizar todas as oportunidades que temos, rentabilizar ao
máximo de acordo com os recursos. Costumo brincar: nós é que trabalhamos
em alto rendimento, porque o investimento não é assim tanto, mas o
retorno é muito maior”, atirou.Se o
sucesso dos últimos anos fica patente nos irmãos Oliveira, Iúri Leitão,
‘Tata’ Martins e mesmo nos mais novos, com Daniela Campos a somar
medalhas jovens, assim como Diogo Narciso, entre outros, o trabalho deve
continuar “degrau a degrau”.“Sempre vi e
vejo as coisas como etapas intermédias de um processo. Se subimos um
degrau, temos de consolidar nesse degrau e a seguir preparar para subir o
degrau seguinte. [...] Temos uma seleção com vários atletas em vários
processos e etapas diferentes”, lembrou.Nos
Europeus jovens em Anadia, que terminaram na terça-feira, Portugal teve
“atletas a participar pela primeira vez”, a “aprender a competir”, para
depois aprenderem a trabalhar “para ganhar”, a caminho do “expoente
máximo”, os Jogos Olímpicos.“Temos de
pensar na formação de atletas, poucos ou muitos, com base neste
horizonte. […] Temos atletas que trabalhamos para obter resultados, sem
isso não se discute uma qualificação olímpica. Temos atletas para isso.
Na categoria feminina, a Maria Martins, e a Daniela Campos está numa
fase intermédia do processo de evolução, mas correndo bem vai lá chegar e
trabalhar em conjunto para este ciclo”, revelou.As
medalhas conquistadas até aqui, em cerca de 12 anos, são “um indicador
da capacidade de trabalho” de uma equipa completa que trabalha, em
Sangalhos, “por paixão e gosto ao ciclismo”, e “se calhar” merecia “mais
recursos por parte da tutela”.