Crescimento de passageiros não trava a sazonalidade

10 de jan. de 2026, 11:00 — Daniela Arruda

Desembarcaram mais 127.880 passageiros em 2025 do que em 2024, totalizando cerca de 2,3 milhões de passageiros nos aeroportos dos Açores no último ano. Apesar do balanço global ser positivo, a distribuição mensal do tráfego aéreo revela uma procura mais concentrada nos meses de verão, o que levanta preocupações com o regresso de uma sazonalidade mais acentuada.De acordo com os dados do Serviço Regional de Estatística dos Açores (SREA), ao longo do ano, o movimento de passageiros seguiu um padrão irregular. Janeiro registou um aumento, fevereiro recuou, e a procura voltou a crescer de forma gradual em março, abril, maio, junho, julho e agosto, período em que se concentram os valores mais elevados. A partir de setembro, os números voltam a cair, com quebras em outubro e novembro, e apenas uma ligeira recuperação em dezembro face ao período homologo de 2024.Para Gualter Couto, presidente da Câmara de Comércio e Indústria de Ponta Delgada (CCIPD), apesar de 2025 ter sido melhor do que 2024, a forma como a procura se distribui ao longo do ano é motivo de preocupação: “Estávamos numa trajetória positiva, com o fosso entre a época alta e a época baixa a diminuir depois da pandemia: “Isso aconteceu entre 2021 e 2023, mas no final de 2025 começaram a surgir sinais de inversão”, afirma.Segundo o presidente, setembro, outubro e novembro de 2025 registaram menos hóspedes do que no mesmo período de 2024, com quebras de cerca de 2% em setembro, que se agravaram nos meses seguintes: “Dezembro aumentou ligeiramente, mas não compensou as quebras dos meses anteriores”, sublinha.O crescimento registado em 2025 foi impulsionado sobretudo pelos voos interilhas, em parte associados ao sucesso da Tarifa Açores, algo que Gualter Couto considera positivo para a economia regional. Ainda assim, alerta que este crescimento não substitui o impacto do turismo externo: “Entre açorianos estamos a dinamizar a economia, mas o grande salto económico vem do turismo nacional e internacional”, afirma.Outro fator de preocupação é a saída da Ryanair em março que, segundo o presidente, poderá prolongar a época baixa em 2026: “Sem acessibilidades e sem promoção, é muito difícil reduzir a sazonalidade”, acrescenta.Gualter Couto alerta ainda para as consequências económicas de uma sazonalidade mais acentuada, sobretudo para a gestão financeira das empresas turísticas, que enfrentam custos fixos elevados em meses de fraca procura: “Não é desejável termos hotéis cheios em julho e agosto e depois taxas de 20% ou 30% no inverno”, defendendo que a Região deve olhar para exemplos como a Madeira, onde a sazonalidade é muito mais reduzida.O presidente da CCIPD admite que janeiro está a ser particularmente difícil, com vários empresários a reportarem taxas de ocupação entre 20% e 30%. No entanto, confessa que ainda está a aguardar por dados oficiais relativamente a este mês.Ainda assim, antecipa-se que 2026 possa ser um ano desafiante, caso se confirme o agravamento da época baixa. Embora ainda não seja possível fechar todas as contas relativamente ao efeito da sazonalidade, os sinais registados no final de 2025 já despertam preocupação no setor, conclui Gualter Couto.