Credibilidade de Portugal na NATO fragilizada por falta de investimento
6 de jul. de 2024, 09:20
— Lusa
O
discurso de Portugal, país que está na Organização do Tratado do
Atlântico Norte (NATO) desde a sua fundação, está fragilizado,
reconhecem fontes diplomáticas consultadas pela Lusa.Por
um lado, o país demonstrou sempre disponibilidade para participar em
praticamente todas as missões do bloco político-militar e
independentemente do Governo o alinhamento com a NATO é absoluto. Mas
Portugal desinvestiu na área da Defesa e não conseguiu acompanhar os
objetivos de reinvestimento. Se há uns anos era pedido um máximo 2% do
Produto Interno Bruto (PIB) em Defesa (para equiparar os
Estados-membros), agora os 2% são o mínimo exigido e este ano pelo menos
23 dos 32 Estados-membros já ultrapassaram essa percentagem do PIB em
investimento em Defesa.De acordo com uma
estimativa feita pela NATO para 2024, Portugal deve ser o sétimo país
que menos vai investir em Defesa. Um relatório sobre a previsão de
despesa nesta área aponta que o país deverá investir 1,55% este ano. Em 2023, o investimento foi de 1,48%, abaixo da previsão de 1,64% apontada pelo executivo português.Portugal
só aponta para o final da década, mas o Governo que iniciou funções há
menos de seis meses já está no bom caminho, reconheceram à Lusa fontes
diplomáticas na NATO.No final de junho, o
primeiro-ministro, Luís Montenegro, anunciou no parlamento que o Governo
tem ambição de antecipar o 2% de investimento mínimo em Defesa para
2029 (anteriormente era 2030) e que vai apresentar um “plano credível”.É
um esforço para credibilizar Portugal numa altura em que o “discurso já
não cola”, apontaram as fontes contactadas pela agência Lusa.Os
diplomatas contactados advertiram que o investimento não pode ser feito
só pela perspetiva de melhorar as Forças Armadas, mas também
aproveitaram o aumento da procura previsível nos próximos anos. Fontes
diplomáticas consideraram que Portugal tem de investir na sua indústria
da defesa e estabelecer-se como um polo para o fabrico de equipamentos
que serão necessários e requeridos por vários países.Incentivos
fiscais poderão ser um caminho para atrair investimento estrangeiro
para fazer crescer a indústria da defesa em território português,
apontaram.Também no final de junho, o
ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, anunciou que o Governo está a
estudar a construção de uma fábrica de munições e que será apresentada
ao parlamento “muito em breve”.“É uma das
áreas em que sabemos que a União Europeia toda, eu diria o mundo
ocidental, é deficitária. A necessidade de se produzirem munições está
identificada ao nível do Governo”, advogou na altura o governante.