Covid-19: Nova Iorque quer confinar nove bairros para travar aumento de casos

4 de out. de 2020, 20:00 — AO Online/ Lusa

Numa declaração, o presidente da Câmara ('mayor'), o democrata Bill de Blasio apelou para o encerramento de atividades não essenciais a 07 de outubro e para a proibição de atividades "de alto risco" em 11 outros bairros da cidade de Nova Iorque.A proposta precisa da aprovação do Governador do Estado, Andrew Cuomo, para se tornar efetiva.Se Cuomo aprovar, será a primeira vez que a maior metrópole norte-americana, que se tornou um modelo de controlo da epidemia depois ter registado cerca de 24.000 mortes, é obrigada a regredir no desconfinamento."Os nova-iorquinos trabalharam arduamente para controlar a covid-19 e não fazemos esta proposta de ânimo leve", disse o presidente da câmara."Mas nesta cidade, a ciência guia as nossas decisões e fazemos o que os factos nos dizem para fazer", acrescentou o edil democrata, numa crítica implícita ao governo Trump e aos republicanos acusados de desvalorizar a pandemia.Dos nove bairros afetados, seis estão em Brooklyn, particularmente em áreas onde a comunidade judaica ortodoxa está fortemente representada, e três situam-se em Queens, incluindo um bairro perto do aeroporto John F. Kennedy.Estes nove bairros têm em comum o facto de a taxa de positividade ter permanecido acima dos 3% nos últimos sete dias, apesar das múltiplas intervenções dos serviços de saúde para assegurar que as máscaras são usadas, são utilizados gestos de barreira e as pessoas são encorajadas a serem testadas.Em seis dos nove bairros, a taxa de positividade é atualmente superior a 5,6% e é ainda mais elevada, com 8,3%, no bairro de Borough Park, em Brooklyn, onde funcionários da saúde foram vaiados há 10 dias por um ativista judeu ortodoxo que denunciou o uso de máscaras.A proposta de confinamento parcial surge numa altura em que, após semanas de controvérsia, Nova Iorque acaba de reabrir parcialmente as escolas públicas, num modelo que alterna o ensino presencial e 'online', e reabriu os restaurantes a 25% da sua capacidade.Os Estados Unidos são o país com mais mortos (209.399) devido à covid-19 e também com mais casos de infeção confirmados (mais de 7,3 milhões).