Covid-19: Açores devem acautelar passagem do alojamento local para arrendamento, defende associação
30 de mai. de 2020, 00:13
— AO Online/ Lusa
O Governo dos Açores anunciou esta semana que pretende apoiar famílias e proprietários com um programa de arrendamento de casas de alojamento local para as disponibilizar, a preços acessíveis, para habitação permanente.A iniciativa surge no âmbito das medidas para mitigar os impactos da pandemia de covid-19.De acordo com fonte do executivo regional, o programa “+ Habitação” terá uma primeira fase em que se apresentam a concurso as propriedades de alojamento local, para que sejam disponibilizadas para arrendamento de longa duração.Em declarações à agência Lusa, Rui Correia disse que a eventual passagem de alguns alojamentos que estão a ser explorados em tipologia de alojamento local para o negócio do arrendamento desperta “algum interesse em alguns proprietários”, segundo um inquérito realizado.A associação “sempre defendeu, desde o início, junto do Governo Regional, a criação de medidas que acautelem a passagem” para o mercado do arrendamento, uma vez que “há implicações fiscais e legais na desafetação dos imóveis de uma atividade de prestação de serviço de alojamento local para arrendamento tradicional”.Rui Correia sugeriu ao executivo que fossem adaptados programas já existentes direcionados para o alojamento local.A AALA realizou um inquérito sobre os impactos da pandemia da covid-19 a proprietários de alojamento local dos Açores, que registou 405 respostas, representando 857 registos de alojamento, cerca de 30% dos registos totais.O estudo aponta para quebras de receitas de 70%, o que “representa mais 27 de milhões de euros, e elevadas taxas de cancelamentos nas reservas, havendo proprietários a estimar cancelamentos entre 75% e 100%”.De acordo com o inquérito, a “grande maioria dos alojamentos indicou que consegue manter as suas portas abertas, mesmo não havendo atividade, com os apoios disponibilizados pelo Estado e o complemento da região, ou com outros rendimentos e poupanças”.Os restantes manifestaram que “terão de fechar definitivamente o seu espaço, praticar arrendamento de longa duração ou mesmo vender a propriedade, encerrando a sua atividade definitivamente”.O estudo avança que aqueles que querem se manter no negócio acreditam que a atribuição do selo “Clean & Safe” e as suas orientações de boas práticas “criam confiança no mercado, sendo uma solução recente e reconhecível”.Neste momento o alojamento local é responsável por 15.013 camas, representando cerca de 57% do total de camas existentes nos Açores, de acordo com a AALA.Oito das nove ilhas dos Açores já não têm qualquer caso positivo ativo de infeção por SARS-CoV-2 e São Miguel tem ainda dois doentes por recuperar, avançou hoje a Autoridade de Saúde regional.Até ao momento, já foram detetados na região um total de 146 casos de infeção, verificando-se 128 recuperados, 16 óbitos e dois casos positivos ativos para infeção pelo novo coronavírus SARS-CoV-2, que causa a doença covid-19, ambos na ilha de São Miguel.