Costa Silva pede ao Governo para prolongar as medidas de apoio às empresas
Plano 2020/2030
21 de jul. de 2020, 12:46
— Lusa/AO Online
Esta
foi uma das mensagens transmitidas pelo professor universitário António
Costa Silva, autor do Plano de Recuperação 2020/2030, num discurso que
proferiu ao longo de 80 minutos, durante uma sessão que decorre no
Centro Cultural de Belém, em Lisboa, e que conta com a presença de
vários membros do Governo.Numa sessão
destinada a assinalar o lançamento da discussão pública de um documento
de médio prazo, António Costa Silva deixou ao executivo um recado com
caráter de urgência, apontando que a crise sanitária provocada pela
covid-19 "está a arrastar uma crise económica que vai ser profunda e
muito difícil". "Temos uma queda
expressiva do Produto Interno Bruto (PIB), do consumo e do investimento,
e um aumento da taxa de desemprego. É evidente que os planos que o
Governo está a articular de resposta imediata à crise estão a funcionar.
Mas chamo a atenção para aquilo que pode acontecer em setembro e em
outubro se alguns dos planos e apoios deixarem de ser executados",
referiu o gestor convidado pelo primeiro-ministro, António Costa, para a
elaboração do Plano de Recuperação 2020/2030.António Costa Silva avisou então que há "empresas que são rentáveis que estão atualmente com a corda na garganta". "Penso
que é fulcral manter essas empresas à tona, foram atingidas duramente
pela pandemia. Se recuperarem são eixos fundamentais para o
desenvolvimento da economia" defendeu.Na
sua intervenção, o professor universitário advertiu também que a atual
crise "vai exponenciar alguns dos constrangimentos estruturais do país."São
constrangimentos históricos que ainda não conseguimos superar: Um
mercado interno limitado, empresas descapitalizadas, uma dívida pública
elevada, uma estrutura produtiva pouco diversificada, baixa
produtividade, nível baixo do investimento e um nível alto de
fiscalidade. Para responder a estes constrangimentos, temos de colocar
as pessoas e as empresas no centro do Plano de Recuperação Económica",
sustentou.Como objetivos, entre outros, o
autor do plano colocou o combate à precariedade laboral, uma alteração
do atual perfil da economia com "mais investimento privado", o
investimento em infraestruturas e a atração de talentos."Atenção:
Se mantivermos o sistema vigente na administração pública, não vamos
conseguir responder. É urgente aumentar a eficácia dos reguladores e
combater alguma lentidão que possa existir na justiça fiscal e
económica", advogou, antes de se referir ao setor da educação, onde
identificou a existência de um persistente défice de qualificações que
pesa no PIB nacional.Em matéria de
educação, António Costa Silva propôs um "rejuvenescimento do corpo
docente em Portugal" com mais atenção ao digital e à formação dos
professores.Neste seu discurso, o
consultor do Governo voltou a preconizar a construção de uma linha de
alta velocidade ferroviária entre Lisboa e o Porto, argumentando a este
propósito com a elevada probabilidade de serem proibidos a prazo,
sobretudo por motivos ambientais, os voos com distância inferior a 600
quilómetros.