Costa segunda-feira na Islândia com agenda dominada pelas energias renováveis
14 de mai. de 2023, 17:32
— Lusa /AO Online
Segundo fonte diplomática nacional, esta será a primeira visita de um chefe do Governo português à Islândia e a primeira visita de alto nível desde a deslocação do então Presidente da República Mário Soares em 1993.O convite para esta deslocação surgiu na sequência de um encontro entre António Costa e a primeira-ministra islandesa, Katrin Jakobsdóttir, que ocorreu à margem da Conferência dos Oceanos das Nações Unidas, em Lisboa, em junho do ano passado.António Costa chega a Reiquiavique ao fim da manhã de segunda-feira e terá logo a seguir um almoço de trabalho com a primeira-ministra da Islândia, em que estará em análise o aprofundamento da cooperação bilateral.De acordo com o executivo de Lisboa, o maior potencial de cooperação regista-se na área das energias renováveis, que é “uma das apostas dos governos dos dois países, representando novas oportunidades para as empresas portuguesas fornecedoras de equipamentos para centrais de energia renovável desde turbinas, transformadores, geradores e soluções solares de pequena escala, para produção de energia fora da rede”.A meio da tarde, o primeiro-ministro visita em Selfoss, a cerca de 40 quilómetros de Reiquiavique, a Geothermal Power Plant, a maior central de produção de energia elétrica geotermal da Islândia e uma das maiores do mundo, com 303 megawatts de capacidade instalada.Nesta sessão, António Costa presidirá à assinatura de um memorando de entendimento entre a Agência Portuguesa de Energia (ADENE) e a Autoridade Nacional para a Energia da Islândia que tem como objetivo estabelecer um quadro de cooperação entre as duas entidades ao nível da partilha de conhecimentos, colaboração técnica e desenvolvimento de projetos conjuntos.Em Portugal, segundo o Governo português, existem atualmente nos Açores três centrais geotérmicas em funcionamento - duas em São Miguel e uma na Terceira - que “satisfazem cerca de 23% das necessidades do arquipélago, estando prevista a sua expansão nos próximos anos".Será ainda assinado um memorando de cooperação nos campos da eficiência energética e energia geotermal, cerimónia após a qual António Costa se desloca à Carbfix, que é uma unidade industrial que procede à captura e mineralização de dióxido de carbono.Neste campo da energia, o executivo de Lisboa assinala que “a União Europeia, em conformidade com o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da Organização das Nações Unidas, identificou a captura e armazenamento geológico de dióxido de carbono como uma tecnologia de transição suscetível de contribuir em 15% para a redução das emissões de gases com efeito de estufa no horizonte de 2030”.Ao fim da tarde, antes de estar presente numa receção à comunidade portuguesa, o primeiro-ministro é recebido pelo presidente da Câmara Presidente de Reiquiavique, Dagur Eggertsson, numa visitará que efetuará ao cluster dos oceanos na capital islandesa.A “Ocean Cluster” desenvolve projetos no âmbito da economia azul para aproveitamento do pescado a 100%.“Além da produção geotermal de eletricidade, da captura e armazenamento de carbono por métodos industriais, a proteção dos oceanos e a economia azul são outros dos principais temas desta visita”, acrescentou fonte do executivo nacional.