Costa salienta que compete só à Kiev definir termos e momento para negociar paz
Ucrânia
16 de mai. de 2023, 08:39
— Lusa/AO Online
Esta posição assumida
por António Costa antes de participar na Cimeira do Conselho da Europa,
que hoje começa em Reiquiavique e que se prolonga até quarta-feira,
tendo como tema central a questão da guerra da Ucrânia.“Entendo
que é preciso dar espaço para que a paz possa surgir nos termos que a
Ucrânia venha a definir. Há algo que importa não esquecer: Quem é vítima
da agressão é a Ucrânia e é a Ucrânia que tem legitimidade para definir
os termos e o momento para sentar-se à mesa e negociar a paz”, defendeu
o líder do executivo português.Interrogado
sobre qual a viabilidade de uma organização como o Conselho da Europa,
com 46 Estados-membros, ter uma posição comum sobre a condenação da
invasão militar da Rússia contra a Ucrânia, António Costa advogou que
esta cimeira se trata precisamente de uma oportunidade para o próprio o
Conselho da Europa “reencontrar a sua vocação”.“O
Conselho da Europa é hoje a plataforma de encontro de diversas europas
que têm assumido posições diversas no que respeita à guerra que a Rússia
desencadeou contra a Ucrânia. É uma oportunidade de haver debate e
diálogo com franqueza, tendo em vista garantir o primado do Direito
Internacional”, sustentou.Já sobre a
presença no Conselho da Europa de países com regimes considerados
autoritários, o primeiro-ministro começou por assinalar que a Rússia já
foi excluída da organização e, por outro lado, que “é importante que o
diálogo prossiga em torno dos valores da democracia, do Estado de
Direito e do primado do Direito Internacional”.“É melhor dialogar do que não dialogar”, observou.O primeiro-ministro destacou depois uma vertente que classificou como significativa inerente à ação do Conselho da Europa.“O
sistema de direitos humanos do Conselho da Europa é bastante evoluído e
determinante. A generalidade dos Estados-membros aceitou a jurisdição
do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem - e isso tem sido muito
importante para a tutela dos direitos humanos nesses países”, alegou.António
Costa lembrou depois que “muitos jornalistas obtiveram ali ganhos de
causa” e que Portugal já foi condenado várias vezes por atrasos na
administração da justiça.“Pessoas que têm
sido condenadas em Portugal obtiveram depois no Tribunal Europeu dos
Direitos do Homem ganhos de causa e indemnizações. Estamos perante uma
forma de os países confrontarem-se consigo próprios e evoluírem.
Recentemente, uma pessoa presa levou à condenação de Portugal pelas
deficientes condições existentes no seu estabelecimento prisional”,
apontou ainda.Para o primeiro-ministro, em
suma, “é importante que o sistema do Conselho da Europa, designadamente
nos direitos humanos, se mantenha efetivo, seja preservado e
defendido”.