Costa Rica declara estado de emergência após ciberataques russos a organismos oficiais
13 de mai. de 2022, 10:28
— Lusa/AO Online
O
presidente Rodrigo Chaves, que tomou posse no domingo, fez desta
declaração, publicada na quarta-feira, um dos seus primeiros atos
oficiais, embora não tenha nomeado os membros da Comissão Nacional de
Emergência.A declaração de emergência,
normalmente reservada para lidar com desastres naturais ou com a
pandemia, refere que o ataque que a Costa Rica está a enfrentar se deve a
"cibercriminosos" e "ciberterroristas".O
grupo de língua russa Conti reivindicou o ataque e, na semana passada, o
Departamento de Estado dos EUA ofereceu uma recompensa de 10 milhões de
dólares por informações que levem à identificação ou localização dos
seus líderes.Os ataques na Costa Rica
começaram em abril, quando o Ministério das Finanças foi o primeiro a
relatar que vários de seus sistemas tinham sido afetados, incluindo os
relacionados com a cobrança de impostos e a alfândega.Os ataques também atingiram o sistema de recursos humanos da segurança social e do Ministério do Trabalho.O
Governo da Costa Rica não informou qual a extensão do ataque, nem
indicou uma estimativa dos prejuízos causados, mas alguns sistemas,
especialmente no Ministério das Finanças, ainda não estão a funcionar
normalmente.Carlos Alvarado, que era o
presidente quando os ataques começaram, disse que a Costa Rica não
pagaria nenhum resgate a este ‘cibergangue’.Numa
declaração na semana passada, o Departamento de Estado dos EUA disse
que o grupo Conti foi responsável, nos últimos dois anos, por centenas
de incidentes de 'ransomware' (sequestro de dados informáticos por
piratas, que pedem um resgate em criptomoedas para restabelecer o acesso
da vítima aos dados).“O FBI estima que,
desde janeiro de 2022, houve mais de 1.000 vítimas de ataques associados
ao ‘ransomware’ do grupo Conti, com os pagamentos de vítimas a
excederem os 150 milhões de dólares [148,5 milhões de euros], tornando
esta variante de ‘ransomware’ a mais cara já documentada”, disse, no
comunicado.Além do estado de emergência
por causa dos ciberataques, Chaves também eliminou o uso obrigatório de
máscaras relacionado com a pandemia em espaços públicos e emitiu um
decreto que instava as instituições públicas a não sancionar
funcionários que não tenham sido vacinados contra a covid-19, revertendo
a política do seu antecessor.