Costa quer reforma para reforçar OMS e ataca nacionalismo nas vacinas
Covid-19
21 de mai. de 2021, 17:11
— Lusa/AO Online
"O
mundo precisa estar mais bem preparado para prevenir futuras crises de
saúde", declarou António Costa num discurso que proferiu em inglês, por
videoconferência, na Cimeira da Saúde Global do G20, que decorre em
Roma. Na sua intervenção, o
primeiro-ministro de Portugal, país que preside ao Conselho da União
Europeia até junho, fez uma defesa cerrada sobre as vantagens de uma
abordagem multilateral na resposta a questões globais no plano da saúde.
"Devemos apoiar, fortalecer e reformar a
OMS, e promover a implementação integral do Regulamento Sanitário
Internacional. Portugal também está disposto a participar na negociação
de um Tratado Internacional sobre Pandemias no âmbito da OMS, tendo como
base o Regulamento Sanitário Internacional", frisou. Neste
ponto, António Costa começou por referir que a pandemia da covid-19
apanhou o mundo de surpresa, e com ela têm-se aprendido várias lições ao
longo do último ano."Aprendemos que é
melhor combater a pandemia em conjunto do que isoladamente; que o
nacionalismo nas vacinas, as barreiras comerciais e os obstáculos na
cadeia de fornecimento só nos deixarão em pior situação. E aprendemos
que nossos serviços nacionais de saúde e os seus trabalhadores são a
primeira e melhor linha de defesa contra as crises atuais e futuras",
sustentou o líder do executivo português.Na
primeira parte do seu discurso, António Costa observou que a
presidência portuguesa do Conselho da União Europeia, que começou em
janeiro, "coincidiu com algumas das piores fases da pandemia, mas também
com o desenvolvimento da vacinação e o início da recuperação da crise"
sanitária, económica e social. "Devemos
agora concentrar-nos em promover o acesso generalizado às vacinas,
aumentando as capacidades de produção, prevenindo obstáculos na cadeia
de fornecimento e removendo as restrições à exportação. Temos de
acelerar a produção e a distribuição de vacinas para todos, encarando a
imunização como um bem público global", disse.Depois,
o primeiro-ministro voltou a advogar que, em matéria de cooperação
mundial, a União Europeia "está a fazer a sua parte, liderando no apoio à
pesquisa e desenvolvimento de vacinas e na produção e distribuição de
vacinas"."A União Europeia e seus
Estados-Membros estão entre os principais contribuintes para o mecanismo
Covax", reforçou, antes de abordar as consequências económicas e
sociais provocadas pela pandemia da covid-19.O
primeiro-ministro referiu-se ainda à sua participação na terça-feira na
Cimeira sobre o Financiamento das Economias Africanas, que se realizou
em Paris. "Foi consolidado um consenso
sobre a necessidade de uma nova emissão de direitos especiais de saque
de 650 bilhões de dólares, dos quais 33 bilhões irão para países
africanos. Somente com financiamento adequado os países mais vulneráveis
poderão combater a pandemia e promover a recuperação. Também
concordámos que o acesso universal às vacinas deveria ser alcançado,
inclusive por via da produção em África", assinalou.Esta
cimeira da saúde global, que decorre a partir de Roma, foi aberta com
intervenções do primeiro-ministro italiano, Mário Draghi, e da
presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.Até
agora, discursaram o secretário-geral das Nações Unidas, António
Guterres, os presidentes do Parlamento e do Conselho Europeu,
respetivamente David Sassoli e Charles Michel, a chanceler germânica,
Angela Merkel, o presidente chinês, Xi Jinping, o chefe de Estado
francês, Emmanuel Macron, e o primeiro-ministro do Canadá, Justin
Trudeau.Fizeram também intervenções, entre
outros, a vice-presidente dos Estados Unidos, Kamala Harris, o
presidente turco, Recep Erdogan, e os primeiros-ministros de Espanha e
Reino Unido, respetivamente Pedro Sánchez e Boris Johnson, o diretor da
Organização Mundial da Saúde, Tedros Ghebreyesus, além dos chefes de
Estado do México e Indonésia.