Costa quer máximo de informação e diz que vacinaria se tivesse um filho entre 5 e 11 anos
Covid-19
10 de dez. de 2021, 12:53
— Lusa/AO Online
António
Costa falava após ter inaugurado o Museu da Liga dos Bombeiros
Portugueses, em Lisboa, depois de confrontado com a polémica sobre a
divulgação pública de todos os pareceres científicos relativos à
vacinação de crianças por parte da Direção Geral da Saúde (DGS).“Não
me vou pronunciar sobre uma matéria que é competência sobretudo técnica
da DGS. Como é sabido, o princípio geral é o da publicidade de todos os
documentos administrativos que devem ser divulgados. E a DGS deve
ponderar em cada momento o que entende que deve ou não ser divulgado”,
começou por responder.Depois,
o primeiro-ministro avançou com a sua opinião: “Acho que deve ser
divulgado o máximo possível de informação, de forma a reforçar a
confiança de todos no processo de vacinação”.“O
processo de vacinação em Portugal tem sido um caso mundial de sucesso.
Isso deve-se muito à confiança que os portugueses têm manifestado neste
processo”, sustentou o líder do executivo, antes de salientar que
desconhece em detalhe o parecer sobre vacinação para crianças entre os 5
e os 11 anos.“É um assunto que é da responsabilidade da DGS”, insistiu.A seguir, o primeiro-ministro foi questionado se aceitava vacinar se tivesse um filho entre os cinco e os 11 anos.“Sim,
claro, não tenho a menor das dúvidas. Mas tenho dito e repetido que,
obviamente, os pais que têm crianças nessa faixa etária devem ouvir os
médicos pediatras ou os médicos de família para se sentirem confortáveis
quando tomam essa decisão”, disse.Questionado
se reconhece que a vacinação das crianças é um assunto pouco
consensual, António Costa respondeu que “em nenhum momento da pandemia
da covid-19 houve qualquer matéria consensual”.De
acordo com o primeiro-ministro, desde o início da pandemia da covid-19,
foi frequente ouvir sobre a mesma matéria opiniões contraditórias por
parte dos diferentes especialistas.“Por
experiência própria, sabemos que, se formos a dois médicos
queixarmo-nos da mesma doença, em princípio o diagnóstico é o mesmo,
mas, provavelmente, a terapia é diversa. Isso é normal que aconteça. Os
portugueses têm tido até agora a capacidade de discernir bem e as
autoridades a capacidade de ouvir as diferentes opiniões e tomarem uma
decisão”, advogou.António
Costa admitiu que, por vezes, as pessoas não compreendem bem as
decisões de caráter sanitário para prevenção e combate à covid-19 e
avançou mesmo com um exemplo de caráter pessoal.“Eu
já estive em dois isolamentos, um deles estando já vacinado. E também
me custou compreender. Mas a argumentação das autoridades foi clara e,
sobretudo, devemos acatar o que as autoridades nos recomendam. É tendo
essa confiança nas autoridades de saúde que temos conseguido percorrer
este caminho ao longo destes quase dois anos”, acrescentou.