Costa pede país “focado na meta” do crescimento e realça importância de empresas e exportações
18 de abr. de 2023, 11:39
— Lusa/AO Online
“O sucesso da
estratégia de crescimento só pode resultar se, como os maratonistas,
tivermos sempre os olhos focados na meta, e continuarmos todos, cada um a
cumprir a sua parte deste trabalho conjunto para obter aquilo que creio
que é a ambição de todos nós: que o país cresça mais, que se
internacionalize mais e que possa criar mais e melhor emprego, melhor
rendimento e melhor qualidade de vida no nosso país”, defendeu António
Costa.O primeiro-ministro falava na sessão
de abertura do ‘Growth Forum’, uma iniciativa da Câmara de Comércio e
Indústria Portuguesa, na faculdade de economia NOVA SBE, em Lisboa. Perante
uma plateia de empresários, e um dia depois da apresentação do Programa
de Estabilidade (PE) 2023-2027, o primeiro-ministro fez uma intervenção
de cerca de 40 minutos na qual se focou na trajetória de crescimento do
país acima da média europeia desde 2015, altura em que assumiu funções.“Todos
os anos entre 2000 e 2015, só em 2009 crescemos acima da média da União
Europeia. Desde 2016, só em 2020, o ano mais grave da pandemia
covid-19, crescemos abaixo da média europeia. (…) E todas as previsões
indicam que continuaremos a crescer acima da média europeia quer em
2023, quer em 2024 e eu diria com grande probabilidade nos próximos
anos”, salientou. Este crescimento acima
da média europeia, continuou o primeiro-ministro, permitiu que Portugal
se tenha “aproximado dos países mais desenvolvidos da Europa”, estando
agora “mais próximo da cabeça do pelotão”.“E
quem já tenha falado alguma vez com um maratonista sabe bem que a pior
forma de ganhar uma maratona é olhar para quem vem atrás de nós e não
ter os olhos focados na meta. E os nossos olhos têm que estar focados na
meta, que é estarmos na primeira linha dos países mais desenvolvidos da
UE”, disse. Costa justificou este crescimento com dois fatores: o “grande investimento empresarial” e o crescimento das exportações.“Temos
razões para estar confiantes em relação ao futuro? Para que não digam
que sou otimista, vou remeter-me a factos”, disse o primeiro-ministro,
começando por realçar o aumento das qualificações da população
portuguesa como fator que contribui para o crescimento económico.De
acordo com o primeiro-ministro, “na geração dos 20 anos, 47% da
população frequenta o ensino superior” sendo que a média europeia ronda
os 42%. Entre outros fatores de confiança
no futuro, Costa realçou que a despesa com inovação e desenvolvimento
atingiu 1,68% do PIB no ano passado, e ao nível da transição energética e
digital, apontou que Portugal, segundo a Comissão Europeia, “é o país
melhor colocado para atingir a neutralidade carbónica em 2050”. O
primeiro-ministro enalteceu a credibilidade internacional do país, que é
conhecido por ser “um dos países mais seguros do mundo, pacíficos e
estáveis”, vantagem que tem que saber conservar “em todas as dimensões”.António
Costa acrescentou que Portugal dispõe nos próximos anos de “um quadro
de investimento importante”, com o Plano de Recuperação e Resiliência
(PRR) e o PT2030. Por último, Costa
considerou como “a prova do algodão” a existência de investimentos no
país, realçando que a Agência para o Investimento e Comércio Externo de
Portugal está atualmente a acompanhar “104 intenções de investimento que
a ser concretizadas representariam um investimento total de 14,5 mil
milhões de euros”.Costa defendeu também
uma política comercial da UE mais ativa, que tem de concluir o acordo de
investimentos com a Índia, México, Chile e que tem de compreender “de
uma vez por todas que não há proteção possível para a produção da carne
de vaca na Europa que justifique” o adiamento da assinatura do acordo
económico entre a UE e o Mercosul.