Costa pede esforço para autonomizar UE em matéria de defesa e segurança
29 de nov. de 2024, 15:57
— Lusa/AO Online
“A paz
não pode ser a paz dos cemitérios, a paz não pode ser capitulação. A paz
não pode recompensar o agressor, a paz na Ucrânia tem de ser justa”,
disse António Costa, durante uma cerimónia para assinalar a 'passagem do
testemunho' entre Charles Michel e o presidente eleito do Conselho
Europeu, em Bruxelas.Perante a presidente
da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, António Costa advertiu que
apesar de a guerra ser no território ucraniano, “estão em causa dos
princípios universais consagrados na Carta das Nações Unidas”.O
presidente eleito do Conselho Europeu, que vai iniciar funções no
domingo, 01 de dezembro, por um período de dois anos e meio, acrescentou
que é necessário “escrever um novo capítulo da UE enquanto projeto de
paz”.“Tornando-nos mais fortes, mais
eficientes, mais resilientes e, sim, mais autónomos em matéria de
segurança e defesa. Assumindo um ónus maior no que toca à nossa
preparação militar. Reforçando simultaneamente os pilares da nossa
parceria transatlântica”, completou António Costa.No
domingo, o antigo primeiro-ministro, António Costa, inicia funções como
presidente do Conselho Europeu, a instituição composta pelos chefes de
Governo e de Estado da União Europeia (UE), que define as orientações e
prioridades políticas comunitárias.É o primeiro português e o primeiro socialista à frente da instituição.António
Costa, que fez parte do Conselho Europeu em representação de Portugal
durante oito anos (período em que foi primeiro-ministro), conhece já
alguns dos líderes da UE, mas pretende, no seu mandato de dois anos e
meio, encontrar pontos de convergência para compromissos entre os 27 e
tornar a instituição mais eficaz.Antes de
iniciar funções, realizou no verão e início do outono um roteiro por 25
capitais europeias para se encontrar presencialmente com os chefes de
Governo e de Estado da UE para conhecer melhor as suas perspetivas e
prioridades para o próximo ciclo institucional no espaço comunitário. Só
não visitou a Bulgária e a Roménia por estarem em períodos eleitorais.Sucede
no cargo ao belga Charles Michel, em funções desde 2019 e que termina o
mandato a 30 de novembro de 2024, num período marcado por crises como a
saída do Reino Unido da União Europeia, a pandemia de covid-19, a
invasão russa da Ucrânia e, mais recentemente, o reacender das tensões
no Médio Oriente.