Costa na Coreia do Sul para captar novos investimentos e promover “sinergias” empresariais
10 de abr. de 2023, 09:52
— Lusa/AO Online
O
primeiro dos dois dias de visita de António Costa a Seul terá uma tarde
totalmente dedicada a visitas a empresas dos ramos das energias
renováveis e dos semicondutores e termina com um jantar com algumas das
principais multinacionais sul-coreanas.“É
uma visita que vai ter um forte pendor económico. Há atualmente um
reposicionamento bastante importante dos vários atores à escala global
com a criação de novas cadeias de valor. Esta visita também vai servir
para criar sinergias e, sobretudo, novas oportunidades para as empresas
portuguesas num mercado tão importante e significativo à escala global
como é o da República da Coreia", declara à agência Lusa o secretário
dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, Francisco André.Na
terça-feira, o primeiro-ministro terá uma reunião com o grupo Hanwha,
uma das empresas vencedoras do segundo leilão solar em Portugal, no qual
conseguiu seis dos doze lotes a concurso para desenvolver projetos
fotovoltaicos no Alentejo e no Algarve.Visita
depois a Hynix. Esta empresa e a também sul-coreana Samsung Eletronics
ocupam respetivamente o terceiro e segundo lugar no ranking mundial dos
maiores fabricantes de semicondutores.Francisco
André destaca que em 2022 Portugal exportou cerca de 200 milhões de
euros para a Coreia do Sul, país que regista ”uma trajetória de
crescimento, apesar do quadro complexo a nível internacional”.“Cresceu
durante 2022 cerca de 2,6% e é um país que está a fazer, também como
Portugal, a sua transição para uma economia verde e digital. A República
da Coreia tem hoje já interesses relevantes no mercado português, com a
presença de empresas nos setores da energia, designadamente nas
energias renováveis, mas também na indústria automóvel e nas
tecnologias”, assinala o membro do Governo.Na quarta-feira, logo pela manhã, em Seul, António Costa discursa num fórum de negócios Portugal/Coreia do Sul. "Esta
visita, dado o seu pendor económico, vai permitir darmos a conhecer
melhor as características de Portugal enquanto país que atrai
investimento estrangeiro. Um país com recursos humanos muito
qualificados, que ocupa hoje no quadro da União Europeia o terceiro
lugar dos países com mais engenheiros, que está aberto ao investimento
estrangeiro e que possui excelentes infraestruturas, tanto do ponto de
vista digital, como do ponto de vista dos transportes”, sustenta o
secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação.De
acordo com Francisco André, o primeiro-ministro, além de ter reuniões
com algumas empresas sul-coreanas consideradas essenciais nos setores
das energias renováveis, automóvel, tecnologia e semicondutores,
procurará contribuir para “aumentar os fluxos de exportação de produtos
portugueses, designadamente do setor agroalimentar".“A
nossa expectativa é aumentar e aprofundar esse relacionamento
económico. Por isso, encaramos de forma bastante positiva esta visita à
República da Coreia, tendo em vista aprofundar a cooperação em setores
fundamentais: automóvel, energias renováveis, eletrónico, biotecnológico
e tecnológico. Por exemplo, no setor tecnológico, basta pensar que duas
empresas coreanas fazem parte do conjunto dos três maiores produtores à
escala global de semicondutores”, referiu.Em
relação à atual conjuntura económica mundial, o secretário de Estado
dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação procurou acentuar a relevância
da inserção em novas cadeias de valor nos mercados internacionais.“No
quadro global estão a ser criadas cada vez mais novas cadeias de valor e
um país como Portugal tem de se posicionar. No âmbito desta visita,
importa perceber quais são as sinergias para em conjunto enfrentarmos
estas alterações que se verificam à escala global e aproveitarmos essas
oportunidades para os nossos agentes económicos", acrescentou.