Costa na Coreia do Sul com uma agenda económica após visitas de Guterres e Cavaco

9 de abr. de 2023, 16:21 — Lusa /AO Online

António Costa chega a Seul acompanhado pelos ministros da Economia, António Costa Silva, da Ciência e Ensino Superior, Elvira Fortunato, e das Infraestruturas, João Galamba, e pelo secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Francisco André.O primeiro dia de agenda do primeiro-ministro português na Coreia do Sul, país que é décima maior economia do mundo e a quarta da Ásia, é totalmente dedicado à economia.Ao início da tarde, terá uma reunião com o grupo Hanwha, uma das empresas vencedoras do segundo leilão solar em Portugal, no qual conseguiu seis dos doze lotes a concurso para desenvolver projetos fotovoltaicos no Alentejo e no Algarve.Visita depois a Hynix. Esta empresa e a também sul-coreana Samsung Eletronics ocupam respetivamente o terceiro e segundo lugar no ranking mundial dos maiores fabricantes de semicondutores.O primeiro dia da visita de António Costa terminará com um jantar com as multinacionais grupo SK, Hyundai Motors, Lotte (turismo, construção civil e distribuição), CS Wind (energias renováveis) e Hanon. Deste grupo de empresas, a CS Wind, que é a maior produtora mundial de torres eólicas, já anunciou que pretende duplicar o efetivo laboral em Portugal para mais de mil pessoas e quer quintuplicar a faturação da sua subsidiária para 400 milhões de euros em 2025.A parte institucional e política do programa do líder do executivo português acontecerá na quarta-feira, após discursar num fórum de negócios Portugal/Coreia do Sul.Segundo fonte diplomática, ao nível de primeiros-ministros, a visita de António Costa à Coreia do Sul, que foi adiada várias vezes por causa da pandemia da covid-19, “quebra um interregno de 23 anos”, altura em que o então chefe do Governo português, António Guterres, esteve neste país.Em 2000, pouco depois de concretizada a transferência da administração de Macau para a República Popular da China, António Guterres esteve em Seul também com uma agenda sobretudo económica, numa altura em que a Coreia do Sul se começava a destacar no mundo com elevadas taxas de crescimento económico.Cavaco Silva foi o último titular de um órgão de soberania nacional a visitar a Coreia do Sul, em julho de 2014 - uma deslocação que acabou por ficar marcada pelas suas declarações em relação à situação do Banco Espírito Santo (BES) e do Grupo Espírito Santo (GES).Em 21 de julho de 2014, no final da sua visita, o ex-chefe de Estado foi questionado numa conferência de imprensa sobre se a situação do GES poderia ter consequências na economia portuguesa.Cavaco Silva alegou que o Banco de Portugal estava a ser “perentório, categórico” ao afirmar que os portugueses podiam confiar no BES. Considerou, depois, que o Banco de Portugal, que na altura tinha como governador Carlos Costa, estava a atuar “muito bem” e a “preservar a estabilidade e a solidez” do sistema bancário português.No plano das relações bilaterais, nessa mesma visita, Cavaco Silva sustentou que havia a possibilidade de aumentar as exportações portuguesas para a Coreia do Sul e perspetivas de investimento coreanas em Portugal."Abrem-se aqui possibilidades de mais exportações para a Coreia do Sul e perspetivas de investimentos, por parte de empresários coreanos em Portugal", afirmou o chefe de Estado, que disse levar "expectativas muito positivas".A visita de Cavaco Silva foi a primeira de um Presidente português desde o estabelecimento de relações diplomáticas entre os dois países, há 63 anos.