Costa magoado por ter sido envolvido mas confiante de que sairá ilibado
Governo/crise
11 de dez. de 2023, 11:27
— Lusa/AO Online
Estas
alusões ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e à
procuradora Geral da República, Lucília Gago, foram transmitidas por
António Costa em declarações à CNN Portugal, na residência oficial de
São Bento, em Lisboa, antes de participar no debate parlamentar que
antecede a próxima cimeira europeia.De
acordo com António Costa, a inclusão de um parágrafo no comunicado do
gabinete de imprensa da Procuradora Geral da República a especificar que
o primeiro-ministro estava a ser alvo de inquérito junto do Supremo
Tribunal de Justiça, “foi determinante” para ter pedido a sua demissão
no dia 07 de novembro.“Quem exerce as
funções de primeiro-ministro não pode estar sob uma suspeita oficial. Já
muitas vezes me perguntam: então e se não tivesse havido esse
parágrafo? Bom, eu estava a ponderar. Eu tinha pedido ao senhor
Presidente da República já nessa manhã uma reunião às 09:30 da manhã,
iria ponderar”, declarou António Costa.Se
não tivesse existido esse tal paragrafo, o líder do executivo admitiu
que, “provavelmente, aguardaria pela conclusão da avaliação pelo juiz de
instrução dos indícios que existiam”.“Agora,
perante um comunicado onde uma pessoa, que não é uma pessoa qualquer, é
a procuradora-geral da República, entende comunicar oficialmente ao
país e ao mundo que, além de tudo mais, foi aberto um processo contra o
primeiro-ministro, tenho um dever que transcende a minha dimensão
pessoal. Há uma dimensão institucional na função de primeiro-ministro”,
justificou.Nesse sentido, António Costa
reiterou que hoje teria feito exatamente o mesmo, optando pela demissão.
A seguir, sugeriu que a mesma pergunta seja feita à procuradora-geral
da República e a Marcelo Rebelo de Sousa.“O
que se pode é perguntar a quem fez o comunicado, a quem tomou a decisão
posterior de dissolver a Assembleia da República, se fariam o mesmo
perante aquilo que sabem hoje”, disse.Interrogado
se está zangado pela forma como foi envolvido nesse processo judicial, o
primeiro-ministro respondeu não estar zangado, mas assinalou: “Se me
perguntam se estou magoado, estou”.“Quem
não se sente não é filho de boa gente. Nunca ninguém pôs em causa a
minha integridade, a minha honestidade. Ninguém ao fim de uma vida
inteira gosta de ser colocado nesta posição”, afirmou.A seguir, invocou para si “uma vantagem grande” neste tipo de situações.“Se
há convicção muito firme que tenho é no sistema de justiça, que é muito
original, que não tem paralelo, mas onde os cidadãos podem ter a
garantia e uma confiança: é que ninguém está acima da lei. Se me
perguntam se eu acho normal que seja publicitada, sem que sejam
praticados atos idoneidade de uma pessoa, é algo que a justiça deve
refletir. Não tenho dúvidas qual é o final da história. Sei que não tive
nenhum benefício, nenhum benefício indevido, para além do salário que
me é pago”, frisou.