Costa exalta-se com homem que o acusou de meter férias nos incêndios de Pedrógão
Eleições Legislativas 2019
4 de out. de 2019, 16:44
— Lusa/AO Online
O incidente ocorreu já no final da arruada,
por baixo das arcadas da Praça do Comércio, quando um homem abordou o
secretário-geral do PS para o criticar "por ter gozado merecidas férias
enquanto morriam pessoas" nos incêndios."No
dia 18 de junho eu estava lá. Mentiroso provocador, o senhor não estava
lá no dia 18 [de junho de 2017]", respondeu António Costa, visivelmente
exaltado, momentos antes de partir para o Porto, de comboio, onde esta
noite encerra a campanha eleitoral do PS.Já
na estação de Santa Apolónia, em declarações aos jornalistas, o líder
socialista classificou como "absolutamente lamentável" que se utilizem
esse tipo de argumentos em campanha eleitoral - e até invocou em sua
defesa a conclusão a que chegou o "Polígrafo", da SIC, sobre a sua
presença em Pedrógão Grandes, durante os dias de incêndio."Como
toda a gente sabe - e o Polígrafo da SIC demonstrou-se - no dia 17 de
junho de 2017 estava em Lisboa e estava em funções. No dia 18 de junho
de 2017, estava na Câmara Municipal de Pedrógão Grande a reunir com
todos os autarcas e a fazer o levantamento de todas as situações",
declarou.Segundo o secretário-geral do PS, além do rescaldo dos fogos, começou logo a preparar o processo de reconstrução"."Se
me perguntam se devia ser mais calmo, claro que sim. Mas foi uma
calúnia que me ofendeu. Todos temos o nosso limite em relação àquilo que
podemos suportar. Para mim é profundamente insultuoso esta campanha que
a direita persiste em fazer", disse ainda aos jornalistas. Antes
deste incidente, era visível a satisfação dos dirigentes socialistas
com a adesão de simpatizantes e militantes do PS à tradicional ação de
rua deste partido, entre o Chiado e o Terreiro do Paço.António
Costa fez o percurso pelas ruas do Carmo e Augusta sempre acompanhado
pela sua mulher, Fernanda, bem como pelo presidente da Assembleia da
República, Ferro Rodrigues, pelo seu ministro das Finanças, Mário
Centeno, e pelo presidente do partido, Carlos César.Nos
contactos que teve de rua, o líder socialista recebeu muitas mensagens
de apoio, numa ação em que não houve bombos e banda de música por
respeito à morte do antigo ministro, fundador e primeiro líder do CDS,
Freitas do Amaral, na quinta-feira.De
registar ainda que, no Largo Camões, após o tradicional almoço
socialista na Cervejaria Trindade e antes de iniciar a descida do
Chiado, António Costa encontrou-se uma delegação de cerca de 30
elementos dos sociais-democratas suecos que se encontram em Portugal.O
incêndio que deflagrou há dois anos em Pedrógão Grande e que alastrou a
concelhos vizinhos provocou a morte de 66 pessoas e 253 feridos, sete
dos quais graves, e destruiu cerca de meio milhar de casas e 50
empresas.Mais de dois terços das vítimas
mortais (47 pessoas) seguiam em viaturas e ficaram cercadas pelas chamas
na Estrada Nacional 236-1, entre Castanheira de Pera e Figueiró dos
Vinhos, no interior norte do distrito de Leiria, ou em acessos àquela
via.