Costa diz que não partilha "padrões éticos e de exigência" de Lucília Gago
31 de jul. de 2024, 10:48
— Lusa/AO Online
Em
entrevista ao canal televisivo NOW, António Costa foi questionado sobre
as declarações da Procuradora-Geral da República, Lucília Gago, que
descartou qualquer responsabilidade sobre a demissão do
ex-primeiro-ministro, salientando que Costa poderia “ter continuado nas
suas funções”.Na resposta, o ex-primeiro-ministro salientou que “cada um assume as suas responsabilidades”, considerando que foi o que fez.“Cada
um tem os seus padrões éticos e de exigência relativamente aos cargos
que ocupa. Manifestamente não temos os mesmos padrões”, afirmou.António
Costa acrescentou que, “é suposto que todos exerçam, com uma devida
responsabilidade, as suas funções”, dando o exemplo das forças de
segurança, que andam armadas com base no pressuposto de que utilizarão
“a arma de uma forma adequada, proporcional e em caso de necessidade”.“É
assim que as nossas forças de segurança atuam, felizmente. Há depois
uma ou outra exceção. Eu não acho que, quando há um mau exercício de uma
função, se deva necessariamente alterar essa função”, frisou. Questionando
se, relativamente à Procuradora-Geral da República, considera que houve
um “mau exercício” da sua função, o ex-primeiro-ministro respondeu:
“Ninguém é bom juízo em causa própria, portanto não vou estar a falar
por mim”.“Acho que há um juízo geral das
pessoas relativamente ao que aconteceu, ao que se passou. É uma página
que está virada, foi dolorosa, mas entendi que tinha de me reinventar”,
referiu, reiterando que não se arrepende de se ter demitido e
salientando que tomou a “decisão certa na hora exata”.Nesta
entrevista, António Costa foi ainda questionado sobre a operação Tutti
Frutti e o facto de o seu ex-ministro das Finanças Fernando Medina vir a
ser constituído arguido, tendo considerado a situação bizarra.“Acho,
apesar de tudo, bizarro uma pessoa ser constituída arguida pela
atribuição de um subsídio que não atribuiu - foi atribuído pela Câmara,
que é um órgão colegial - e, além do mais, uma reunião em que ele nem
sequer participou. Portanto, acho bizarro”, disse.Sobre
a sua relação com o Presidente da República, Costa referiu que continua
a ser boa, apesar de assumir que teve uma divergência com Marcelo
Rebelo de Sousa após a sua demissão, designadamente quanto à decisão de o
chefe de Estado convocar eleições em vez de aceitar nomear como
primeiro-ministro uma das personalidades que lhe tinha proposto.O
ex-primeiro-ministro, recentemente eleito presidente do Conselho
Europeu, considerou que Marcelo Rebelo de Sousa fez uma “interpretação
bastante circunstancial” na tomada de posse do seu Governo de maioria
absoluta, quando afirmou que os portugueses tinham dado uma “maioria a
um partido, mas também a um homem”.António
Costa frisou que “a única pessoa que tem uma legitimidade pessoal e
direta, a nível nacional, é o Presidente da República”, salientando que
um primeiro-ministro não é eleito diretamente, pelo que “essa
equiparação da legitimidade do primeiro-ministro à própria legitimidade
do Presidente da República é, de alguma forma, uma diminuição da própria
legitimidade do Presidente da República”.“Portanto,
é uma interpretação que não é a minha. Creio, aliás, que não é de
ninguém e, sobretudo, espero que não faça escola”, frisou.