Costa diz que cada euro do PRR vai traduzir-se num “crescimento de 5,3 euros do PIB”
15 de fev. de 2023, 17:31
— Lusa
António
Costa citava o estudo de impacto das verbas do PRR no PIB feito pelo
Gabinete de Estudos e Relações Internacionais do Ministério das Finanças
(GPEARI).O chefe do executivo discursava
no antigo Picadeiro Real, em Lisboa, no início de um balanço da execução
do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) feito pelo Governo ao
Presidente da República, em que também participou a ministra da
Presidência, Mariana Vieira da Silva.Costa
referiu estes dados para salientar que o PRR tem “um impacto económico
que supera em muito os 16,6 milhões de euros que já estão alocados”,
designadamente através do “efeito de alavancagem que tem de
investimento”.“Só no programa das Agendas
Mobilizadoras, que é talvez o mais desafiante (…), dos três mil milhões
de euros do apoio do PRR, correspondem depois 7.700 milhões de euros de
investimento, sobretudo por parte das empresas”, frisou. O primeiro-ministro acrescentou que o PRR tem um “impacto muito significativo naquilo que é o volume de negócios”.“Só
no âmbito destas Agendas Mobilizadoras, o conjunto de consórcios
pretende produzir mais dois mil produtos, serviços ou patentes, com um
aumento do volume de negócios anual de 8.800 milhões de euros, e isto
significa que este efeito multiplicador para os próximos anos do PRR vai
ser fortíssimo na economia portuguesa”, disse.Nesta
intervenção, de cerca de 25 minutos, António Costa recordou que o PRR
foi criado pela Comissão Europeia, em conjunto com outros programas
europeus, para “responder à estabilização da economia” e “recuperação da
recessão”.António Costa salientou que,
dois anos volvidos sobre a criação do PRR, “é muito claro que a economia
europeia em geral, e a portuguesa em particular, recuperou em 2021 e
2022 do brutal impacto da covid em 2020 e está genericamente melhor do
que estava em 2019”.“Se nós olharmos para a
nossa própria realidade, nós temos um PIB em 2022 que já está 3,2%
acima do de 2019, as nossas exportações cresceram o ano passado 31%
acima de 2019, a formação bruta de capital fixo subiu 33% relativamente a
2019, e temos mais 107 mil empregos em 2022 do que os empregos que
existiam em 2019”, indicou. Apesar disso, o
primeiro-ministro citou o Presidente da República para referir que,
além de recuperar da pandemia, o PRR deve também servir para
“reconstruir o país, virando para o futuro a economia e a sociedade
portuguesa”.“Foi bem visto, porque a parte
da recuperação, essa pelo menos já estamos acima de 2019. Agora falta
esta parte, que é a reconstrução do país nesta lógica do futuro”,
sublinhou. Costa salientou que, das verbas
que Portugal vai receber, 70% já estão “contratualizadas com IPSS,
empresas, entidades do sistema científico e tecnológico, municípios,
entidades da administração central”.“A
Comissão Europeia já autorizou, e já procedeu mesmo ao pagamento e à
transferência para Portugal de 30% da totalidade das verbas, porque
corresponde ao cumprimento de todas as metas e de todos os marcos que já
cumprimos até agora”, sublinhou. António
Costa dirigiu-se ainda a Marcelo Rebelo de Sousa para o convidar a que
visitem juntos, no terreno, algumas das iniciativas em que está a ser
aplicado o PRR. “Não queria deixar de
renovar o convite ao senhor Presidente da República para que, passado o
Carnaval, e portanto pelo mês de março, pudéssemos ter algumas ações
para ver no terreno como é que municípios, IPSS, universidades,
politécnicos, empresas, estão a aplicar efetivamente o PRR”, disse.