Costa descarta “orçamento de contenção” e realça 8 mil milhões de euros em apoios
OE2023
19 de out. de 2022, 17:48
— Lusa/AO Online
No debate
preparatório do Conselho Europeu, na quinta e sexta-feira em Bruxelas, a
deputada do Bloco de Esquerda (BE) Mariana Mortágua qualificou de “puro
sadismo político” o facto de o Governo manter o “IVA da energia à taxa
máxima de 23%”, num país onde “mais de 1,5 milhões de pessoas passa frio
no inverno”. Mariana Mortágua perguntou
ainda a António Costa porque é que o executivo “não tem margem para
descer o IVA da luz”, “tendo o Portugal o maior crescimento económico
desde o ano de 1990”, e acusou o Governo de estar a praticar "contenção
orçamental".Na resposta, o
primeiro-ministro salientou que, até setembro, o Governo tinha investido
1.600 milhões de euros “no conjunto de medidas de apoio às famílias e
empresas”, a que se acrescentam 2.400 milhões no pacote apresentado em
setembro para os pensionistas e ativos, mil milhões no âmbito do pacote
“Energia para Avançar” e três mil milhões de euros previstos no
Orçamento do Estado para injetar nos mercados da eletricidade e de gás
natural.“São oito mil milhões de euros.
Chama a isto orçamento de contenção? Oito mil milhões de euros para
apoiar as famílias e as empresas num país como Portugal?”, questionou o
primeiro-ministro. No que se refere às
descidas do IVA, Costa referiu que o seu Governo vai “na segunda descida
do IVA na eletricidade”, recordando que, em 2020, houve uma “grande
redução”, que fazia variar “a taxa do IVA em função do consumo”. A
segunda descida, segundo o chefe do executivo, acabou de ser aprovada
na Assembleia da República, “foi promulgada pelo Presidente da República
esta semana” e “está em vias de publicação”. Durante
este debate, o deputado comunista Alfredo Maia disse não esperar
"pouco" das decisões que irão ser tomadas no Conselho Europeu desta
semana, afirmando que, no que se refere à política energética, deverão
ser tomadas medidas “de transferência de importantes recursos públicos
para as grandes empresas, mas não para as muito pequenas e médias
empresas, nem para as famílias”.“Veja-se o
caso de Portugal. Ao invés de travar a espiral de especulação, com o
controlo das margens e a fixação de preços (…) o Governo mobiliza três
mil milhões de euros - 1.500 milhões dos quais com origem no Orçamento
do Estado - para financiar os ganhos das grandes companhias e beneficiar
o grande capital que comanda a especulação”, criticou.Costa
recusou que os três mil milhões de euros em questão sejam um “apoio às
grandes empresas”, contrapondo que essa verba “é o que garante, por
exemplo, que as famílias portuguesas que estão no mercado regulado de
eletricidade já sabem que têm um aumento contido em 2,8% relativamente a
janeiro do ano passado, e de 1,1% relativamente ao próximo mês de
dezembro, durante todo o ano de 2023 no mercado regulado da
eletricidade”“É o que permite,
relativamente aos preços atuais, haver para as empresas uma redução de
60% no custo da eletricidade e 78% no custo do gás, graças a essa
intervenção no mercado desses três mil milhões de euros”, sublinhou.