Costa considera “inadmissível” lei para travar Centeno como governador do Banco de Portugal
15 de jun. de 2020, 10:54
— Lusa/AO Online
António Costa deixou este aviso no Palácio de
Belém, no final da breve cerimónia de posse de João Leão como ministro
de Estado e das Finanças em substituição de Mário Centeno, depois de
questionado sobre o projeto já aprovado na generalidade, na Assembleia
da República, que visa estabelecer um período de nojo de cinco anos
entre o exercício de funções governativas e o desempenho do cargo de
governador do Banco de Portugal. "Num
Estado de Direito democrático são inadmissíveis leis 'ad hominem' com a
função de perseguir pessoas. Não costumo comentar iniciativas
parlamentares, mas pela gravidade dessa iniciativa não posso deixar de
dizer que é absolutamente incompatível com o Estado de direito
democrático", sustentou o primeiro-ministro.Ainda
em relação a este diploma, que apenas mereceu o voto contra do PS e que
segue agora para a especialidade no parlamento, António Costa declarou
não perceber - "e seguramente ninguém no país percebe - essa vontade de
perseguir Mário Centeno"."O doutor Mário
Centeno cometeu algum crime? Foi crise ter sido membro do Governo e ter
exercido essas funções durante mais de cinco anos? Foi crime os
resultados que obteve enquanto ministro de Estado e das Finanças?",
interrogou-se o líder do executivo.Para
António Costa, "fora da bolha parlamentar, ninguém percebe que se faça
uma lei com um único objetivo, que é o de impedir a eventual nomeação de
Mário Centeno para governador do Banco de Portugal"."Isso
não é admissível num regime democrático, é inaceitável neste caso
concreto e quero acrescentar o seguinte: O Governo responde
politicamente perante a Assembleia da República, mas tem as suas
competências que resultam da Constituição e da lei - competências que
não estão ao sabor das vontades conjunturais", advertiu.Ou
seja, segundo António Costa, "o Governo exercerá as suas competências e
não há nenhuma razão para alterar as competências do Governo sempre
essa matéria".Nesta questão, o
primeiro-ministro procurou retirar o presidente do PSD da tentativa de
aprovar uma lei no parlamento apenas dirigida contra Mário Centeno,
alegando não ter a ideia de que Rui Rio possui "uma visão mesquinha de
que se vinga em atos legislativos daquilo que é o debate normal no
terreno político"."Seria de uma enorme mesquinhez e não tenho o doutor Rui Rio como uma pessoa mesquinha", reforçou.No
entanto, em relação ao diploma já aprovado na generalidade e que visa
estabelecer um período de nojo entre o exercício de funções
governamentais e o cargo de governador do Banco de Portugal, António
Costa usou a ironia para admitir que "há pessoas a quem o confinamento
deve ter feito mal"."Mas nós temos de nos
manter com a seriedade, com a calma e com a tranquilidade própria de
perceber que vivemos num Estado de Direito democrático. O bom senso deve
continuar a prevalecer. Por razoes conjunturais, não é aceitável que se
alterem as competências de um órgão de soberania. Por quererem
perseguir o doutro Mário Centeno, não posso aceitar que pretendam atar
os pés e as mãos ao Governo, como se isso fosse normal", acrescentou.