Costa avisa que momentos de tensão vão prolongar-se por mais algumas semanas
Covid-19
28 de jan. de 2021, 12:34
— Lusa/AO Online
"Vamos ter esta tensão ainda por
mais umas semanas seguramente", declarou António Costa no programa
"Circulatura do Quadrado", na TVI-24, moderado pelo jornalista Carlos
Andrade, com a participação habitual da líder parlamentar do PS, Ana
Catarina Mendes, do antigo dirigente do PSD Pacheco Pereira e do membro
do Conselho de Estado António Lobo Xavier.Sobre
a evolução da situação epidemiológica em Portugal, o líder do executivo
referiu que se deverá atingir "um momento em que o número de novos
casos por dia vai deixar de subir, perdendo força a variação diária"."Mas
só depois disso começaremos a baixar o número de pessoas que carecem de
internamento. E só depois disso começaremos a baixar o número de óbitos
por dia. Portanto, não vale a pena alimentarmos a ilusão de que não
estamos a enfrentar o pior momento. Vamos continuar a enfrentar o pior
momento ainda durante as próximas semanas", avisou o primeiro-ministro.No
programa, o antigo dirigente do PSD José Pacheco Pereira criticou o
caráter errático das medidas adotadas pelo Governo no combate à epidemia
de covid-19 e António Costa foi mesmo questionado sobre o que teria
feito diferente se soubesse aquilo que sabe hoje sobre a doença."Olhando
agora, se tivéssemos tido conhecimento atempado da existência da
variante inglesa [do novo coronavírus], seguramente, o quadro das
medidas que foram definidas para o Natal teria sido diferente.
Seguramente, as restrições que entraram em vigor no princípio de janeiro
teriam entrado em vigor, provavelmente, logo no dia 26 de dezembro",
assumiu.Segundo António Costa, quando
foram definidas as medidas para o Natal, "havia uma greve de fome à
porta da Assembleia da República para exigir o aumento do número de
horas de funcionamento dos restaurantes"."A
realidade [dos números da epidemia] que temos hoje não é a realidade
que temos presente quando as decisões são tomadas. Entre o momento em
que se toma a decisão e ela produz efeitos temos normalmente 14 dias de
espera. Ou seja, as medidas tomadas na semana passada, em princípio,
começam a ter efeitos nos números que vamos conhecer na próxima semana",
alegou.Interrogado se Portugal vai pedir
ajuda internacional para que sejam acolhidos doentes, ou para a
requisição de profissionais de saúde de outros Estados-membros da União
Europeia, o primeiro-ministro revelou-se prudente sobre esta matéria."A
chanceler [alemã] Angela Merkel, no princípio da semana, manifestou-me a
disponibilidade da Alemanha para apoiar. Mas, infelizmente, não há
condições para disponibilizar médicos ou enfermeiros e aquilo que a
Alemanha tinha condições de disponibilizar eram ventiladores, mas não é
isso que nos está a faltar", referiu.António
Costa adiantou que já foi colocada a hipótese de acolhimento
internacional de doentes com outras patologias não covid-19, cujo
tratamento não prioritário tem estado a ser adiado, mas, também aqui,
até agora, não terão existido desenvolvimentos relevantes."É
preciso ter alguma cautela em relação a essa ideia de que há um
estrangeiro para onde é possível enviar doentes. Nas zonas de fronteira
temos essa relação com Espanha, mas é diferente um país com a posição
geográfica de Portugal e outro país que está no centro da Europa, tendo
vários com quem faz fronteira. Nestes casos, a cooperação
transfronteiriça é muito mais habitual e muito mais fácil", observou o
líder do executivo.O primeiro-ministro
procurou depois deixar uma garantia: "Sem qualquer preconceito em
relação a setores público ou social, ou em relação a nacional ou
estrangeiro, o Governo não regateará esforços, nem deixará de recorrer a
qualquer meio que esteja disponível, para assegurar o tratamento de
quem quer que seja nas circunstâncias que elas existirem"."Mas
é preciso é saber se elas existem. Provavelmente, estamos a assistir à
primeira vaga que não vem de leste para oeste e que vai de oeste para
leste. Espero que não. Espero que fique na nossa fronteira",
acrescentou.