Costa anuncia contratos com mais mil investigadores e novas residências universitárias
20 de nov. de 2023, 13:04
— Lusa/AO Online
António
Costa deixou estas garantias na inauguração do novo centro de
investigação e desenvolvimento do ISCTE, em Lisboa, no seu primeiro ato
oficial nacional desde que pediu a demissão da liderança do executivo no
passado dia 07.Após o discurso da reitora
do ISCTE, Maria de Lurdes Rodrigues – numa cerimónia com a presença dos
ministros da Cultura, Pedro Adão e Silva, da Coesão, Ana Abrunhosa, e
da Ciência e Ensino Superior, Elvira Fortunato -, António Costa fez um
discurso centrado no caráter fundamental das qualificações para que
Portugal tenha um crescimento económico sustentado e com maior valor
acrescentado.António Costa referiu então
que na última reprogramação do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR)
reforçou-se o investimento em ciência “na ordem dos 43%, sem contar com
as agendas mobilizadoras, e indicou que nas duas últimas décadas “mais
do que quadruplicou” o número de investigadores.“Conseguiu-se
mudar o paradigma da bolsa para o do contrato, o que é muito importante
para garantir proteção social. E é fundamental continuarmos a evoluir
do modelo do contrato para o do contrato sem termo”, sustentou.Neste
contexto, adiantou que, no próximo dia 18 de dezembro, vai abrir um
concurso que prevê “a contratação sem termo de mil investigadores”.“Neste
Orçamento do Estado para 2024, introduz-se uma norma importante em que
se assegura que o Estado assegura um terço do pagamento desses
contratos, complementando o terço pago pela Fundação para a Ciência e
Tecnologia (FCT) e o restante que é obtido através de financiamentos
concorrenciais”, disse.Ainda de acordo com o primeiro-ministro, o Governo apostou num PRR que reforce “a democratização no acesso ao Ensino Superior”.“Não
é apenas baixar-se o valor das propinas de licenciatura de mil euros
para 697 euros. Atualmente, o grande desafio é resolver o problema do
alojamento estudantil e com o PRR vamos quase duplicar a capacidade de
camas. Na sexta-feira – aqui ao lado do ISCTE -, será inaugurada uma
residência. No caso do ISCTE, das atuais 79 camas, passará a ter 767 no
final de 2026”, estimou.Na parte mais
política do seu discurso, António Costa repetiu a ideia de que hoje, em
Portugal, “já é consensual que o modelo de desenvolvimento sustentável
para o país tem de assentar no conhecimento e na inovação, e não nos
baixos salários e no empobrecimento dos cidadãos”.“O
progresso extraordinário que teve o sistema educativo é também o
caminho que as empresas vão ter de fazer. As empresas que querem
triunfar no mundo global não basta serem competitivas na venda, têm de
começar por ser competitivas na contratação e retenção do talento. Esse é
um campeonato em que as empresas portuguesas têm de vencer se quiserem
triunfar no mercado global”, acentuou.Antes,
o discurso da reitora do ISCTE destinou-se a destacar os padrões de
qualidade e de exigência da sua instituição, salientando que o novo
centro de investigação irá concentrar mais de mil investigadores.A
antiga ministra da Educação destacou a importância de se juntar num
espaço aberto áreas tão diversas de investigação como as
telecomunicações, a História, a inteligência artificial e a sociologia,
visando um trabalho “colaborativo e multidisciplinar”.Maria
de Lurdes Rodrigues elogiou também a arquitetura do novo edifício, na
Avenida das Forças Armadas, em Lisboa, “projetado com a prata da casa”,
sendo “sustentável” do ponto de vista ambiental e climático.