Costa afirma que tem plano de evacuação de portugueses e está aberto a acolher ucranianos
Ucrânia
24 de fev. de 2022, 12:44
— Lusa/AO Online
Estas
garantias foram transmitidas por António Costa em conferência de
imprensa, em São Bento, depois de uma reunião com os ministros de Estado
e dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, da Defesa Nacional,
João Gomes Cravinho, e com o chefe do Estado Maior General das Forças
Armadas, almirante Silva Ribeiro.Perante
os jornalistas, o líder do executivo português transmitiu “uma palavra
de confiança à comunidade ucraniana que reside em Portugal”.“Contarão
com toda a nossa solidariedade, têm sido muito bem-vindos a Portugal.
Os seus familiares, os seus amigos, os seus conhecidos que entendam que
devem procurar em Portugal a segurança e o destino para dar continuidade
às suas vidas são muito bem-vindas. Essas são, aliás, instruções
transmitidas às nossas embaixadas quer na Ucrânia quer nos países
vizinhos para serem agilizadas emissões de vistos para quem pretenda vir
para Portugal", declarou o primeiro-ministro.Relativamente
aos portugueses e luso-ucranianos residentes na Ucrânia, de acordo com o
primeiro-ministro, “está estabelecido um processo de evacuação e que
será ativado se e quando for solicitado que assim aconteça"."Obviamente
aquilo que todos desejamos é que esta ação não seja mais um passo numa
escalada que tenha continuidade. Pelo contrário, tal como tem sido o
apelo muito veemente do secretário-geral das Nações Unidas [António
Guterres] em nome de toda a humanidade, que a Rússia pare o ataque,
retire as suas forças e dê espaço para que o diálogo diplomático
prossiga de forma a garantir a paz e a segurança no conjunto da Europa e
naturalmente também na Rússia", declarou.Em
matéria de proteção internacional da população ucraniana, o
primeiro-ministro assegurou que será garantida por Portugal, antes de
deixar uma série de recados a Estados-membros da União Europeia.“Espero
que a União Europeia adote sem a menor restrição as suas
responsabilidades em matéria de assegurar proteção internacional. E, tal
como no passado fizemos relativamente a refugiados oriundos do flanco
sul da União Europeia, designadamente as vítimas das guerras na Síria e
na Líbia, devemos ter a mesma atitude relativamente ao flanco Leste”,
advertiu.António Costa afirmou mesmo
esperar que esta situação resultante do conflito entre a Rússia e a
Ucrânia sirva para que “os 27 Estados-membros fiquem de uma vez por
todas cientes de que o desafio de acolher refugiados, assegurar a sua
proteção internacional e a sua inserção nas sociedades de forma a
assegurar novas oportunidades de vida, é mesmo um dever que implica a
todos”.“A nossa fronteira é muito extensa
e, portanto, não há só refugiados com uma origem, há um potencial de
refugiados com muitas origens. E em todos os casos devemos ser
solidários”, declarou ainda, numa alusão a posições restritivas dos
refugiados que foram adotadas num passado recente por países do leste
europeu.Ao contrário de alguns desses
países do leste europeu, segundo António Costa, “Portugal tem sido
solidário com a Grécia, tem sido solidário com Malta, tem sido solidário
com Chipre, tem sido solidário com a Itália e tem sido solidário com a
Espanha”.“Será solidário seguramente com a
Polónia e qualquer dos países de leste que venha a ser primeiro destino
de eventuais refugiados provenientes da Ucrânia", acrescentou.