Costa afirma que Lufthansa é bem-vinda e Scholz salienta estratégia complementar
19 de abr. de 2023, 17:43
— Lusa
Estas
posições foram assumidas por António Costa e Olaf Scholz em conferência
de imprensa, em São Bento, após uma reunião entre ambos de cerca de uma
hora e depois de questionados sobre a possibilidade de a Lufthansa
entrar no futuro processo de privatização da TAP.O
chanceler alemão, Olaf Scholz, que esta noite também participa no
jantar comemorativo dos 50 anos da fundação do PS na qualidade de
dirigente do SPD (sociais-democratas germânicos), considerou que a
estratégia das duas companhias aéreas “é complementar”.Olaf
Scholz disse mesmo acreditar que, se não fosse a pandemia da covid-19, a
partir de março de 2020, “já poderiam existir factos consumados nesse
domínio”, numa alusão às negociações em que a Lufthansa esteve
anteriormente envolvida.Antes do chanceler alemão, o primeiro-ministro português referiu que em breve vai iniciar-se o processo de privatização da TAP.“Nas
pré-consultas ao mercado verificámos que há várias empresas que
manifestaram interesse, entre elas a Lufthansa. Sabemos que o interesse
da Lufthansa não é recente, já que antes da covid-19 tinha estado em
negociações com o [então] acionista privado [da TAP] para tomar uma
posição”, observou.António Costa frisou
que o Estado Português “tem de assegurar um processo transparente” no
processo de privatização, “onde todos partem em posição de igualdade”.“Mas,
obviamente, a Lufthansa é muito bem-vinda, é uma grande companhia
aérea. Tem uma estratégia de grande complementaridade relativamente ao
hub da TAP. No entanto, todos estão no mesmo ponto na linha de partida”,
realçou.Na conferência de imprensa, o
primeiro-ministro foi também questionado se conhecia o teor do parecer
do Governo que fundamenta a demissão com justa causa da ex-presidente
executiva da TAP, Christine Ourmières-Widener. Uma questão em relação à
qual o PSD pediu esclarecimentos e não obteve resposta, e que tem
motivado duras críticas ao executivo socialista por parte dos
sociais-democratas.“As comissões
parlamentares de inquérito são comissões parlamentares, decorrem no
parlamento e a Assembleia da República é um órgão de soberania que temos
de respeitar. Era o que falava o Governo não respeitar as decisões do
parlamento, a sua autonomia e o seu normal funcionamento. O Governo não
comenta a ação do parlamento, o Governo responde politicamente perante o
parlamento”, respondeu.Perante a
insistência nesta questão do âmbito da comissão de inquérito parlamentar
sobre a gestão da TAP, o líder do executivo português considerou que o
Governo “tem cumprido o seu dever de explicar à opinião pública a
fundamentação das decisões que toma”.“É um
dever de transparência numa sociedade democrática quando decide
explicar qual o fundamento da decisão. Acho que foi isso que os senhores
ministros das Finanças [Fernando Medina] e das Infraestruturas [João
Galamba] fizeram”, acrescentou.