Costa admite que Portugal 2030 pode ser o último acordo de parceria com Bruxelas
15 de jul. de 2022, 11:01
— Lusa/AO Online
Esta nota sobre a provável
evolução da União Europeia foi deixada por António Costa na parte final
do seu discurso no Fundão, distrito de Castelo Branco, no encerramento
da cerimónia de assinatura do acordo de parceria entre Portugal e a
Comissão Europeia para a execução do Portugal 2030, programa comunitário
que envolve cerca de 23 mil milhões de euros.“Há
muitos anos que ouvimos dizer que vai ser a última oportunidade [de
acesso a fundos comunitários]. De tanto ouvirmos dizer que vai ser a
última oportunidade, fomos deixando de acreditar que a última
oportunidade poderia ser mesmo a última oportunidade”, começou por
referir o líder do executivo.A seguir, o
primeiro-ministro apontou uma recente alteração de circunstâncias na
União Europeia, em consequência direta do pedido de adesão da Ucrânia à
União Europeia e da pressão política e diplomática internacional
exercida nesse sentido.“Recentemente, a
União Europeia aprovou um muito ambicioso programa de novo alargamento a
leste e à região dos Balcãs. Admitindo que essa decisão foi tomada com
seriedade, que as negociações vão ser desenvolvidas com seriedade e que
esses países vão alcançar sucesso no seu processo de adesão, então,
independentemente da nossa capacidade de desenvolvimento, o mero efeito
estatístico dessa adesão pode ter transformado esta cerimónia na última
cerimónia de assinatura de um acordo de parceria”, admitiu António
Costa. A seguir, o primeiro-ministro
disse esperar que, a médio prazo, haja “o bom senso não de travar as
adesões” dos países candidatos à União Europeia, mas de “compreender que
o processo de adesão para ter sucesso implica uma nova arquitetura
institucional da União Europeia e, sobretudo, uma nova arquitetura
orçamental”.“Temos de provar que o atual
modelo de financiamento, com base na política de coesão, continua a ser
um modelo de sucesso em Portugal, assim como temos de provar que somos
excelentes a executar esse novo modelo de fundos europeus que constitui o
Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Quem sabe, poderá ser o
modelo futuro da arquitetura do novo modelo orçamental da União Europeia
a partir de 2027”, acrescentou.Na sua
intervenção, António Costa fez várias referências ao processo de
descentralização de competências em Portugal e à projetada
regionalização do país, sustentando que o Portugal 2030 contempla um
“significativo” crescimento de dotações para as regiões.“Os
programas regionais, desta vez, foram elaborados por regiões eleitas
maioritariamente pelos autarcas e que respondem pelos autarcas. Este é
um passo de gigante no nosso processo de descentralização”, disse.Depois,
fez uma alusão à controvérsia em torno da criação de regiões
administrativas em Portugal, mas sem mencionar a posição do PSD de
recusar um referendo sobre esta matéria. “Se
haverá outros passos, espero que sim, mas, para já, este é o primeiro
grande teste após o passo que demos na democratização ao nível da
organização do Estado no escalão regional de Portugal continental”,
advogou.