Costa admite que Governo “cometeu erros” e afasta crise política relacionada com europeias
31 de jan. de 2023, 09:26
— Lusa/AO Online
Em entrevista à RTP,
conduzida pelo jornalista e diretor de informação, António José
Teixeira, António Costa reiterou a intenção de chegar ao final da
legislatura em outubro de 2026, considerando que foi esse o objetivo dos
portugueses quando deram ao PS uma maioria absoluta, há exatamente um
ano.Questionado sobre um cenário de
dissolução do parlamento em 2024, ano de eleições europeias, o
primeiro-ministro procurou desdramatizar um eventual mau resultado do
PS.“Tenho visto essa conversa sobre
eleições europeias, só por três vezes é que um partido que está no
Governo ganhou eleições europeias. Eu espero que o meu partido ganhe,
mas pode não ganhar, e nunca foi isso que causou qualquer crise
política”, afirmou, admitindo que, além das questões europeias, os
portugueses usam muitas vezes este sufrágio para “um voto de protesto”.“Mas daqui até maio/junho de 2024 há muita água para correr”, salientou.Na
parte inicial da entrevista, o primeiro-ministro foi confrontado com os
vários “casos e casinhos” no Governo nestes primeiros meses.“Este
ano seguramente o Governo pôs-se a jeito e cometeu erros, mais o maior
tropeção que tivemos de enfrentar foi a guerra desencadeada pela
Rússia”, afirmou, defendendo que o problema central que preocupa os
portugueses é a inflação.António Costa
recusou ainda a imagem de um Governo desgastado: “Eu sinto-me bem e o
meu médico também me diz que eu estou bem”, respondeu, em tom
bem-humorado.“O Governo tem de provar
todos os dias aquilo que vale, os portugueses decidiram que devia haver
maioria absoluta porque não queriam mais governos a cair de dois em dois
anos, como o Presidente da República teve oportunidade de interpretar
logo no primeiro dia do Governo: que eu próprio deveria ser
primeiro-ministro durante quatro ano”, insistiu.Na
entrevista de cerca de 50 minutos, António Costa voltou a insistir que o
seu Governo tem demonstrado como “uma maioria pode ser dialogante”,
apontando os acordos em sede de concertação social, na função pública e
com os municípios, mas também no parlamento, frisando que a maioria das
propostas do executivo não é aprovada apenas com o voto dos socialistas.Sobre
o último ano, Costa recusou críticas de falta de humildade ou de
ligação à realidade, dizendo que tem insistido que não são os problemas
do Governo que estão no centro das preocupações dos portugueses.“Obviamente
que houve problemas dentro do Governo com consequências políticas que
eram graves, houve duas mudanças de ministros, algumas pessoas que
saíram por doença e três que saíram por questões ou de ética ou
judiciais. Esses problemas, sem desvalorizar a sua dimensão, não se
comparam com os problemas que atingem o dia a dia dos portugueses”,
defendeu.O primeiro-ministro disse ter
aprendido que o facto de haver maioria absoluta “reforça o escrutínio e o
grau de exigência” e reconheceu que talvez nem sempre o Governo tenha
respondido “prontamente às dúvidas que existiam”.“O
que é mais relevante é a estabilidade de políticas, foi nas políticas
que os portugueses votaram”, disse, insistindo que “o grande motivo de
insatisfação das pessoas tem a ver com a inflação” ou o seu impacto nos
créditos à habitação.Na entrevista à RTP,
Costa reiterou ter ficado surpreendido com a revelação do ex-ministro
Pedro Nuno Santos de que, afinal, tinha autorizado o pagamento de uma
indemnização da TAP à ex-secretária de Estado do Tesouro, Alexandra
Reis, e admitiu estranheza que tal tenha sido feito via mensagem
escrita.“Acha que algum primeiro-ministro
pode validar esse tipo de decisão? Claro que não, nem o próprio
validou”, disse, assegurando que só soube de tal informação quando Pedro
Nuno Santos a revelou, já após a sua demissão.Na
parte económica da entrevista, o primeiro-ministro afirmou que na
terça-feira serão conhecidos os números do INE sobre o crescimento de
2022, adiantando apenas que “todas as previsões indicam” que terá sido
acima do previsto, mostrando-se também otimista quanto ao ano em curso.“Todas
as previsões para este ano indicam que Portugal vai ter crescimento,
não tão forte como este ano, mas vai continuar a crescer”, disse.O
primeiro-ministro considerou, por isso, que 2023 é um ano que os
portugueses “podem encarar com confiança”, mas avisando que é preciso
“manter a firmeza” para que os números batam certo.No
entanto, recusou que as contas certas sejam uma meta a todo o custo
deste governo: “Eu gosto de falar [em contas certas] e os portugueses
gostam de as ter”, disse.“Se for
necessário tomar novas medias na margem orçamental da nossa
disponibilidade, claro que o faremos”, assegurou, salientando que em
2023 quer o Salário Mínimo, quer as prestações sociais, quer “o conjunto
do aumento” nas pensões já foram acima da inflação.