Corvo foi a única ilha pintada a rosa nos Açores e justificação pode estar num desentendimento entre PSD e PPM
Legislativas
21 de mai. de 2025, 10:11
— Lusa/AO Online
Para
o antigo deputado do PSD José Manuel Nunes, residente na ilha, o
resultado eleitoral foi uma fatura que o partido pagou por manter a
coligação com o PPM, mas o líder regional monárquico, Paulo Estêvão,
justifica a derrota com a falta de ações de campanha da coligação na
ilha.Segundo os resultados provisórios das
eleições legislativas nacionais de domingo, a coligação PSD/CDS/PPM
venceu no círculo eleitoral dos Açores, com 36,56% dos votos, elegendo
três deputados, seguindo-se PS (23,6%), com um mandato, e Chega
(22,85%), com um mandato também.Num
arquipélago pintado a laranja e azul, onde o Chega conseguiu mesmo
vencer em dois concelhos, há um ponto a ocidente em que o rosa resistiu.Na
ilha do Corvo, a mais pequena dos Açores, com 363 inscritos e 242
votantes, o PS obteve 95 votos (39,26%) e a coligação ficou em segundo
lugar com 66 (27,27%).Por um voto a CDU (PCP/PEV) ultrapassou o Chega e ficou em terceiro lugar, com 24 votos (9,92%). A
justificação, neste caso, pode estar no nome escolhido pela CDU para
encabeçar a lista pelo círculo eleitoral dos Açores. António Salgado
Almeida foi médico na ilha do Corvo.“O dr.
Salgado é uma pessoa muito carismática, uma pessoa muito querida na
ilha do Corvo e esse resultado não se deveu à CDU, mas à forma como dr.
Salgado lidou com a sua profissão enquanto cá esteve”, defendeu, em
declarações à Lusa, José Manuel Nunes.Quanto
à vitória do PS, não surpreendeu o antigo deputado social-democrata,
que disse já ter chamado à atenção do líder regional do partido e
presidente do Governo Regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, para as
linhas que o PSD deveria seguir na ilha.“O
senhor presidente do PSD/Açores não deu a atenção que deveria ter dado e
a fatura está aí. É este o resultado e será assim no futuro”, afirmou.“Se
as coisas não mudarem, o PSD está sujeito a desaparecer, assim como o
PPM também já está a começar a desaparecer no Corvo. Isto, neste
momento, está a favorecer o PS”, acrescentou.Segundo
José Manuel Nunes, o PSD do Corvo não aprova a coligação com o PPM e já
decidiu que não vai apresentar candidatura às eleições autárquicas.“A
coligação não faz sentido algum. Não há a mínima hipótese de
entendimento. Penso que houve muita ganância por parte do PPM, que quis
tomar conta de tudo e de todos, quis tomar todas as decisões. E os
militantes do PSD não estão aqui apenas para aguentar a bandeira no ar e
colar cartazes quando chegam as eleições”, rematou.O
líder regional do PPM e membro do Governo Regional, Paulo Estêvão,
residente na ilha do Corvo, encontra, no entanto, outras explicações
para o resultado eleitoral.“Eu penso que
teve a ver com o facto de eu não ter conseguido chegar a tempo de fazer
campanha. Estive a fazer campanha a nível nacional, a percorrer todo o
país, e tinha previsto conseguir chegar ainda no fim da semana, mas não
foi possível”, apontou.“É a primeira vez
em 25 anos que não participei numa campanha na ilha do Corvo. Sem estar a
querer ser egocêntrico, penso que isso foi decisivo”, acrescentou.Nem
o PPM fez campanha no Corvo, nem o cabeça de lista da coligação pelo
círculo eleitoral dos Açores, Paulo Moniz, que se viu impedido de chegar
à ilha devido às condições meteorológicas, explicou Paulo Estêvão.Questionado
sobre um alegado mal-estar entre PSD e PPM no Corvo, o líder regional
monárquico recusou comentar “a vida interna dos outros partidos”.“Nós
fazemos a nossa parte e a nossa parte é fortalecer a coligação e fazer
tudo para a que a coligação tenha êxito na Região Autónoma dos Açores”,
frisou.Paulo Estêvão lembrou que, em 2024,
em três eleições, a coligação venceu duas no Corvo e rejeitou que este
resultado possa ter influência nas eleições autárquicas, em que o PPM
concorre sozinho na ilha.“Para as
autárquicas não existe um acordo, portanto cada partido concorre
isoladamente. Vamos ter oportunidade de convergir com o PSD noutras
ilhas, por exemplo na ilha do Faial. Dependerá de concelho para
concelho”, avançou.Já o secretário-coordenador do PS/Corvo, Lubélio Mendonça, desvalorizou a vitória do partido na ilha.“Não
foi nada de especial este resultado. O Partido Socialista é um partido
grande e se nós perdemos a nível regional e nacional, também perdemos no
Corvo. O nosso objetivo é ganhar tudo, não é ter vitórias aqui e
acolá”, afirmou.Lubélio Mendonça, que
também é deputado regional do PS, disse que o partido vai refletir e
“corrigir o que há a corrigir” para partir para as próximas eleições,
mas defendeu que as pessoas “sabem fazer a separação” entre os
diferentes atos eleitorais.