Corvo distingue-se nos ODS Reduzir as Desigualdades
22 de set. de 2023, 10:53
— Lusa/AO Online
A ODSlocal é uma plataforma desenvolvida para
monitorizar a evolução dos municípios portugueses em relação às metas
dos 17 ODS, estabelecidos pelas Nações Unidas na Agenda 2030, “através
de indicadores de progresso construídos a partir de dados produzidos por
entidades nacionais e pelos próprios municípios”, lê-se numa nota do
consórcio.Nesse sentido, um levantamento
da plataforma aponta os municípios com melhor desempenho por ODS em
2023: Bragança (Erradicar a Pobreza), Ponta Delegada e Povoação
(Erradicar a Fome), Aveiro (Saúde de Qualidade), Moimenta da Beira e
Vila Velha de Ródão (Educação de Qualidade), Murça e São Vicente
(Igualdade de Género), Angra do Heroísmo, Calheta (Açores), Funchal,
Horta, Lagoa (Açores), Lajes das Flores, Nordeste, Ponta Delgada,
Povoação, Ribeira Grande, Santa Cruz das Flores, São Roque do Pico,
Velas, Vila do Porto e Vila Franca do Campo (Água Potável e Saneamento),
Ribeira Grande (Energias Renováveis e Acessíveis).Também
se distinguem Lisboa (Trabalho Digno e Crescimento Económico), Porto e
Vale de Cambra (Indústria, Inovação e Infraestruturas), Corvo (Reduzir
as Desigualdades), Fornos de Algodres (Cidades e Comunidades
Sustentáveis), Vila de Rei (Produção e Consumo Sustentáveis), Figueira
de Castelo Rodrigo (Ação Climática), Aljezur, Calheta (Açores), Faro,
Lagoa, Lagoa (Açores), Lajes das Flores, Loulé, Lourinhã, Nordeste,
Óbidos, Peniche, Ponta Delgada, Portimão, Póvoa de Varzim, Ribeira
Grande, Santa Cruz da Graciosa, Santa Cruz das Flores, Tavira, Velas,
Vila do Bispo, e Vila do Porto (Proteger a Vida Marinha).Os
restantes são Calheta (Madeira), Machico, Santana e São Vicente
(Proteger a Vida Terrestre), Guimarães (Paz, Justiça e Instituições
Eficazes) e Grândola (Parcerias para a Implementação dos Objetivos).“Para
cada ODS há vários indicadores, se calcularmos a média dos indicadores
de cada um dos ODS há um município, ou vários, pode haver empate, que
estão em primeiro lugar, e nós fomos identificar o município melhor
posicionado para o conjunto dos indicadores de cada ODS”, explicou à
Lusa o coordenador da plataforma, João Ferrão.O
também investigador do Instituto de Ciências Sociais (ICS), da
Universidade de Lisboa, destacou que a tabela mostra que, em primeiro
lugar nos vários ODS, “há municípios do continente, das ilhas, do
litoral, do interior, grandes e pequenos”, e que “isso é muito
importante”.“É evidente que não há nenhum
município que apareça em primeiro lugar em todos os ODS, isso é
impossível, mas é importante perceber que os ODS não são algo tão
ambicioso que apenas podem ser atingidos pelos municípios mais
desenvolvidos, de maior dimensão, com maior capacidade, mas também os
municípios mais pequenos, independentemente da sua localização, podem
atingir resultados muito positivos em relação a vários dos Objetivos de
Desenvolvimento Sustentável”, frisou.O
coordenador salientou ainda o ponto de partida, 2015, data em que foi
aprovada a Agenda 2030, e, “como é natural, os vários municípios do país
estavam a distâncias muito diferenciadas das várias metas definidas
para 2030”.“O Corvo por ser muito pequeno,
ter uma população muito reduzida, logo à partida, em 2015, não tinha
grandes desigualdades sociais, ao contrário, por exemplo, das grandes
cidades, onde nós encontramos sempre desigualdades sociais muito
fortes”, comentou, em relação ao município açoriano de cerca de 460
habitantes.O levantamento, divulgado por
ocasião da Cimeira dos ODS, que decorreu nos dias 18 e 19 em Nova Iorque
(EUA), evidencia que “há situações em que o progresso é relativamente
mais fácil”, e que “a capacidade de progredir não é igual em todos os
ODS” ou “em todos os indicadores”.Para o
também geógrafo, “muitas destas metas só serão atingidas com uma
intervenção proativa por parte das autarquias, mas muitos dos problemas
que estão em causa são tão estruturais que mesmo com uma atividade muito
proativa por parte das autarquias, os problemas têm que ter soluções
nacionais e até internacionais”.“Por
exemplo, problemas estruturais de pobreza, as autarquias podem
minimizar, podem combater, mas há questões que não podem resolver, não
podem resolver o problema dos níveis salariais” ou do desemprego,
apontou.Ainda assim, João Ferrão referiu
que quase “a totalidade dos municípios [97%] já estão a mais de metade
das metas”, e que “o país está relativamente bem posicionado em termos
internacionais”.“Isto não quer dizer que
todos vão atingir essa meta, para muitos municípios em vários
indicadores a situação é já excelente, para outros ainda não atingiram a
meta, mas tudo aponta para que vão atingir a meta ou até
ultrapassá-la”, vincou.Na Agenda 2030 são
propostos 248 indicadores para monitorizar as 169 metas que acompanham
os 17 ODS, e a ODSlocal selecionou e adaptou 119 metas para a realidade
local portuguesa, contando neste momento com 130 indicadores de
referência para os seus 308 municípios.A
ODSlocal é um consórcio constituído pelo Conselho Nacional do Ambiente e
do Desenvolvimento Sustentável (CNADS), os centros de investigação
Observa-Observatório de Ambiente, Território e Sociedade do ICS e
Mare-Centro de Ciências do Mar e do Ambiente, da Universidade Nova de
Lisboa, e a ‘start-up’ 2dapt.