Corvinos entre o espanto e o desconhecimento com prémios Emmy na ilha
28 de jun. de 2019, 14:25
— Inês Linhares Dias, Lusa
“Belisquei-me
para ver se isso era verdade ou não”, admitiu à agência Lusa José
Manuel Silva, presidente da Câmara Municipal de Vila do Corvo, o único
município da ilha que conta pouco mais de 400 habitantes - 430 segundo
os últimos dados oficiais -, e que se estende por 17,3 quilómetros
quadrados.A reação é natural, ou não se
tratasse da semifinal da 47.ª edição dos International Emmy Awards,
promovidos pela Academia Internacional de Televisão, em que serão
votados os finalistas da categoria Best Performance by an Actor (Melhor
Ator Mundial).Portugal já recebeu três
semifinais, que aconteceram sempre em Lisboa, mas também houve outras
etapas semelhantes, passadas em capitais mundiais, como Viena ou Nova
Iorque, salientou o autarca.O evento chega
ao Corvo por iniciativa de André Sampaio, um dos sete embaixadores
mundiais da academia, que disse à Lusa que quis “levar um evento
internacional desta importância a um lugar único".A
organização da iniciativa, no Corvo, colocou "inúmeros desafios"
logísticos, tendo em conta a reduzida capacidade de alojamento" na ilha,
as ligações aéreas e a necessidade de compatibilizar agendas dos
diferentes atores.José Manuel Silva
adianta que a comitiva integra 30 pessoas, e a ilha oferece 48 camas
oficiais, por isso está “perfeitamente dentro daquilo” a que conseguem
“dar resposta”, mas admite que “a logística não é fácil”.“Tem-me
consumido a mim e ao pessoal que está na organização, mas, quando há
boa vontade, as coisas acontecem. Com mais ou menos dificuldade,
acontecem”, afirmou.Apesar das
dificuldades, a organização insistiu numa opção que "procura simbolizar"
a importância que a televisão tem, quotidianamente, no “encurtar” da
distância física e de todos os desafios a ela inerentes".Para
os habitantes, esse encurtamento chega de forma muito concreta, já que
está previsto um jantar da comitiva com a população, que acontecerá no
sábado à noite, durante as comemorações das festas de São Pedro.“A
ideia inicial era mesmo criar um jantar em que a população pudesse
estar presente. Por acaso as datas que acabaram por ser confirmadas
coincidiam com as comemorações da Festa de São Pedro, portanto, as
próprias festas vão servir esse propósito”, explicou à Lusa José Manuel
Silva, autarca do concelho único da ilha.O
júri ainda não foi anunciado, nem será antes de sábado, mas cria
burburinho na ilha, onde, sem se aperceber bem do que se vai passar, as
pessoas se entusiasmam com o prenúncio da presença de atores.A
grande maioria da população, quando questionada, não sabe que é uma
semifinal dos International Emmy Awards que os trará à pequena ilha do
grupo ocidental, a mais pequena de todo o arquipélago.Muitos
dos habitantes também não sabem que esse mesmo evento os manterá
durante todo o dia de sábado no Salão Nobre da Câmara Municipal do
Corvo, onde decorrerão as votações, a partir das 09 horas, e durante toda a
tarde, mas têm noção de que os trabalhos cessam a tempo de as caras que
conhecem da televisão se juntarem à festa.Jorge
Correia trabalha na padaria do Corvo. Diz que não sabe bem o que se vai
passar, mas consegue precisar que é uma votação dos Emmys e elenca
alguns nomes de caras conhecidas da televisão que acredita que vão
passar pela ilha.“Ouvi os nomes, não sei
se é verdade se é mentira. É bom, são caras diferentes, que a gente só
vê da televisão, e que agora vamos ver ao vivo”, afirma.Sabe
mais do que Paulo Dias, que, quando questionado sobre o que se passará
este sábado na ilha responde assertivamente: “'É' as festas de São
Pedro, não sei mais nada”.Teresa Mendonça
está mais bem informada e considera que este “é um evento muito bom para
o Corvo, leva o nome do Corvo até longe” e entusiasma-se com a ideia de
ver a comitiva a juntar-se às celebrações.“Acho
que os corvinos aceitam qualquer tipo de pessoas que se juntem a eles e
que gostem de conviver. O Corvo aceita tudo e todos e quem vem cá uns
dias percebe isso”.A ideia é corroborada
pelo presidente da Câmara: “Aqui haverá poucas pessoas que seguem e têm
noção do que se vai passar, mas aquilo em que estão mais
interessadas é exatamente no convívio e poderem estar com estas pessoas.
Não é fácil juntar estas pessoas aqui, não acontecerá nas próximas
décadas, se calhar. Mas isto faz parte de ser corvino, não estamos à
espera, mas acontece e nós interagimos e estamos, passa um bocadinho por
aí”.Para o edil, uma coisa é certa – “as pessoas que cá vierem não se vão esquecer que esta semifinal foi no Corvo”.