“É
o nosso maior cliente [deste segmento] neste momento desde que a NASA
parou” de lançar os próprios vaivéns, disse o gestor, durante um debate
sobre “40 anos de Ciência e Conhecimento: capacitar as empresas para os
novos desafios”, organizado pelo INESC, no Porto.Este
segmento de negócio, que faz parte do esforço da corticeira em
diversificar atividade, terá rendido entre três e quatro milhões de
dólares (1,7 milhões de euros a 2,6 milhões de euros) e é “a aplicação a
seguir a rolha que mais traz valor acrescentado”, segundo Rios Amorim.A
empresa, que trabalhava antes com a NASA para fornecer componentes de
foguetões que são obrigatoriamente de cortiça, produz as peças nos EUA,
por ser mais fácil de certificar, mas a cortiça é portuguesa.No
mesmo debate, sobre inovação e ligação entre empresas e instituições de
conhecimento, o presidente do Conselho de Administração da Sonae, Paulo
Azevedo, defendeu que a evolução das empresas e da ciência tem
acontecido “em paralelo”, referindo que discorda da “narrativa” de que
as duas dimensões nem sempre se ajudam.“Discordo
da análise e narrativa de que não havia ciência em Portugal e agora é
espetacular e as empresas não conseguem usar a ciência. É a narrativa
errada”, referiu.“O progresso na ciência foi fabuloso, mas nas empresas também foi muito grande", adiantou.Para
o presidente da Sonae é ainda importante dar mais formação a
trabalhadores que só têm capacidades usadas em negócios de pouco valor
acrescentado.“Acho que as coisas estão a
evoluir nos nossos setores tradicionais, mas temos o que temos. Temos
uma faixa muito grande de pessoas com qualificações que não vão além do
ensino básico”, destacou, adiantando que existem muitas formações que
podem ajudar estes trabalhadores a reformular as suas competências.Por sua vez, Isabel Furtado, presidente da TMG Automotive, realçou que é “difícil trazer doutorados para meio industrial”.“Habituam-se a meio académico que é muito diferente da indústria”, afirmou.A
gestora apontou o problema da “falta de comunicação” e pediu uma maior
“‘network’ [ligação em rede] entre as empresas e academia”.