Corrigido erro no encaminhamento informático dos processos AIMA nos tribunais
30 de out. de 2025, 18:55
— Lusa/AO Online
Esta
foi uma das três falhas já corrigidas pelo Instituto de Gestão
Financeira e Equipamentos da Justiça (IGFEJ) - tutelado pelo Ministério
da Justiça e responsável pelos sistemas informáticos dos tribunais -, um
dia depois da reunião de urgência pedida pelo CSTAF ao Governo para
exigir medidas que resolvam o que classificaram como “caos instalado”
nesta jurisdição, devido aos constrangimentos provocados pela migração
para o novo sistema informático.Segundo
tinha adiantado na terça-feira à Lusa a juíza secretária do CSTAF,
Eliana Pinto, os milhares de processos relativos à regularização de
migrantes em Portugal, os chamados processos AIMA (Agência para a
Integração, Migrações e Asilo) apareciam no sistema atribuídos à secção
errada, o que se não fosse corrigido informaticamente poderia implicar
que os juízes dessa secção tivessem que produzir um despacho para cada
um deles a remetê-los à secção e juiz corretos.“São 140 mil despachos, isso é impraticável”, disse na altura Eliana Pinto.Para
além da questão dos processos AIMA foram também já corrigidas pelos
serviços do Ministério da Justiça duas outras falhas: a visualização de
documentos PDF e a atribuição correta de documentos aos respetivos
processos, que estavam a aparecer trocados ou errados.O
CSTAF volta a reunir-se com a equipa do Ministério da Justiça na
próxima quarta-feira, dia 05 de novembro, para um ponto de situação,
adiantou este organismo à Lusa.Entretanto,
a ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, será ouvida no parlamento
no dia anterior, 04 de novembro, no âmbito das audições do Orçamento do
Estado para 2026, e o PS já adiantou querer aproveitar o momento para
pedir explicações à ministra sobre as falhas registadas nestes
tribunais.A jurisdição administrativa e
fiscal diz estar “o caos instalado” com o novo sistema informático dos
magistrados, com processos, incluindo urgentes, perdidos
informaticamente e outros encaminhados para os juízes errados, acessos
indevidamente retirados e julgamentos adiados. A
pedido do CSTAF decorreu na quarta-feira de manhã uma reunião de
urgência com a secretária de Estado da Justiça, Ana Luísa Machado, que
até ser chamada a integrar o novo Governo, presidia ao IGFEJ.Os
problemas são transversais às magistraturas do Ministério Público e
judicial na área administrativa e fiscal, queixando-se ambas de
dificuldades e constrangimentos que impedem o normal funcionamento dos
tribunais e a tramitação de processos em cumprimento da nova lei, desde
que no dia 20 deste mês foi desligado o anterior sistema informático.Desde
dia 20 que os tribunais passaram a ter um sistema informático único
para tramitação processual, tendo o IGFEJ procedido à migração do
anterior sistema da jurisdição administrativa e fiscal, o SITAF, para o
Citius.Processos perdidos no processo de
migração, e a ser recuperados lentamente desde há uma semana, perda de
acesso a consulta de processos próprios e de colegas, advogados
excluídos de processos, impossibilidade de introdução de peças
processuais no sistema, pedidos aos advogados para que submetam
processos em papel nas secretarias dos tribunais, contrariando o que
determina a lei, perda de ferramentas informáticas no novo sistema
essenciais para o exercício de funções são alguns exemplos do novo dia a
dia nesta jurisdição desde a migração de sistemas.