Corpo já não é o de antigamente e atirador João Costa deixa alto rendimento
17 de dez. de 2024, 10:40
— Lusa/AO Online
“Porque fiz 60
anos, essa é a razão básica. Já estou reformado no meu trabalho, ou
quase, porque eu sou militar e já estou na reserva há mais de cinco
anos. Praticamente estou reformado. E chegou a idade, não é? Chegou a
minha vez também, porque nota-se que o corpo já não é o que era
antigamente. Portanto, essa é a razão principal para os atletas em alta
competição deixarem a modalidade”, disse em declarações à agência Lusa.João
Costa, sétimo classificado na pistola a 10 metros em Sydney2000 e
Londres2012, assegura que não vai deixar a modalidade, mas apenas a alta
competição, deixando de poder ser integrado no projeto olímpico.Ao
longo da carreira, João Costa conquistou três medalhas de bronze em
campeonatos da Europa, todas em 2003, e conquistou duas vezes a Taça do
Mundo da Alemanha em pistola a 50 metros, em 2006 e 2007.“O
ponto alto foram os cinco Jogos, o diploma olímpico, campeonato do
mundo, taças do mundo, campeões da Europa e 96 campeonatos nacionais
individuais, por enquanto. Portanto, isso é só alegrias, obviamente”,
afirmou. Lembrando uma má experiência na
Índia, em que não conseguiu participar numa final da Taça do Mundo,
devido a uma intoxicação alimentar, como um dos piores momentos da
carreira, João Costa lamentou igualmente não ter conseguido chegar aos
dois últimos Jogos Olímpicos.“Houve uma
prova para Tóquio, qualificação, que eu estive quase a ser apurado, mas
por razões externas à minha vontade, a prova foi quase inutilizada. Para
Paris também tive quase, quase, como sempre, porque isto na alta
composição é assim”, afirmou. João Costa
lembrou que “há investimentos grandes de grandes países, como a Índia e a
China”, o que é muito diferente do que aconteceu na sua carreira,
“porque era militar e o tiro era sempre um ‘hobby’, depois de 17 horas”.
“Falta essa aposta de Portugal no
desporto. E vai faltar sempre, enquanto a política for esta e não houver
uma política desportiva como há em alguns países. E eu não estou a
falar só do tiro, estou a falar das outras modalidades. É o esforço
individual, é a carolice do português, que quer ser bom naquilo que é
bom, e que se esforça muito. Mas em termos de profissão e de vida, não
garante a vida de ninguém. Logo, essa é muito difícil. E quando um
português tem provas de medalhas é todo mérito dele e pouco do Estado”,
referiu.Sobre a sua modalidade, o militar
diz que “não há um novo João Costa”, ao contrário do tiro com armas de
caça, em que Maria Inês Barros, com 23 anos, foi oitava classificado nos
Jogos Olímpicos Paris2024.“No tiro da
Federação Portuguesa de Tiro, é difícil ter novos valores, ter as
crianças, porque os próprios pais também não querem que as armas estejam
na mão dos filhos, porque pensam que aquilo é perigoso, quando na
realidade é tudo ao contrário”, lamentou. Para
além de Sydney2000 e Londres2012, João Costa esteve também presente nos
Jogos Olímpicos de Atenas2004, Pequim2008 e Rio2016.