Corpo de bebé de oito meses encontrado em praia espanhola do Mediterrâneo
18 de jul. de 2023, 17:22
— Lusa
Segundo
a força policial Guarda Civil, a bebé viajava numa das embarcações
precárias conhecidas em Espanha como "pateras" que tentam alcançar as
costas europeias a partir do norte de África.O
corpo da criança, já em estado de decomposição, foi encontrado em 11 de
julho na praia de Roda de Verà, em Tarragona, por funcionários
municipais.Segundo testemunhos citados por
meios de comunicação espanhóis, o corpo já estava há alguns dias no
local, mas por causa da posição em que se encontrava tinha sido
confundido com um boneco.Hoje, num
comunicado, a Guarda Civil disse que o corpo foi identificado como o de
uma bebé argelina de cerca de oito meses que morreu afogada, como os
pais, no naufrágio de uma embarcação ao largo das ilhas espanholas das
Baleares.Foi possível identificar a
criança pelo cruzamento do ADN com o do corpo de uma mulher encontrado
em 06 de abril na costa das Baleares, tendo os peritos concluído que
eram filha e mãe.Segundo a Guarda Civil, a
embarcação tinha saído em 21 de março de Cherchell, na Argélia, com 15
migrantes a bordo, e naufragou depois de ter andando semanas à deriva no
Mediterrâneo. Nenhuma das 15 pessoas a
bordo sobreviveu e, até agora, as autoridades espanholas encontraram ou
recuperaram oito corpos, incluindo o da bebé hoje identificada.Perto
de mil pessoas já morreram no Mediterrâneo e no Oceano Atlântico nos
primeiros seis meses deste ano quando tentavam chegar a Espanha, a
partir do norte de África, divulgou a organização não-governamental
(ONG) Caminhando Fronteiras no dia 06 de julho.A
ONG espanhola, que recolhe dados de fontes oficiais e junto de
comunidades de migrantes e outras organizações sociais no terreno,
contabilizou 951 vítimas entre janeiro e junho, numa média de cinco
mortos por dia em naufrágios documentados e em 19 embarcações perdidas
em alto mar com todas as pessoas que iam a bordo dadas como
desaparecidas.Entre os mortos havia 112
mulheres e 49 crianças e as vítimas eram oriundas de 14 países africanos
e do Médio Oriente, segundo os dados recolhidos pela Caminhando
Fronteiras.A maioria das vítimas foram
identificadas na designada "rota das Canárias", no Atlântico, entre a
costa ocidental africana e o arquipélago espanhol das Canárias, onde
morreram 778 pessoas no primeiro semestre do ano em "28 tragédias" com
embarcações.Os outros naufrágios com vítimas mortais ocorreram no Mediterrâneo, entre as costas da Argélia e Marrocos e as de Espanha."Entre
as causas que provocaram tragédias e vítimas neste período, voltamos a
assinalar a omissão do dever de socorro, a demora na ativação de meios
de busca e resgate, a insuficiência de meios quando estes são ativados,
as más práticas durante os resgates e a falta de coordenação entre os
Estados espanhol e marroquino, cujas relações se regem por interesses
geopolíticos vinculados ao controlo migratório e não pela defesa do
direito à vida", escreveu a ONG Caminhando Fronteiras num comunicado.Espanha,
a par de Itália, Grécia ou Malta, é conhecida como um dos países da
“linha da frente” ao nível das chegadas de migrantes irregulares à
Europa.